Brasília Cármen Lúcia diz que as mulheres foram 'sequestradas' da história brasileira

Cármen Lúcia diz que as mulheres foram 'sequestradas' da história brasileira

Tribunal Superior Eleitoral e Ministério Público Eleitoral assinaram termo de combate à violência eleitoral contra candidatas

  • Brasília | Renato Souza, do R7, em Brasília

Cármen Lúcia, ministra do Supremo Tribunal Federal

Cármen Lúcia, ministra do Supremo Tribunal Federal

Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que as mulheres foram "sequestradas" da história do Brasil. A declaração foi feita durante a assinatura de um termo de parceria entre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Ministério Público Eleitoral (MPE) contra a violência de gênero na política, nesta segunda-feira (1°).

De acordo com o TSE, "o objetivo da parceria é definir rotinas de investigação e apuração do crime eleitoral de violência política contra a mulher", como previsto na Lei Eleitoral. O ato ocorreu diante da recente aprovação da lei nº 14.192/2021, que estabelece normas para prevenir, reprimir e combater esse tipo de violência.

Em seu discurso, Cármen Lúcia lembrou que no dia 7 de setembro deste ano se comemora o bicentenário da independência do Brasil, mas que as mulheres foram apagadas desse momento político da história. A magistrada destaca que esse problema fere a dignidade humana e deve ser extinto.

"Nós não queremos que se repita o que vem acontecendo com as mulheres desde antes mesmo da independência. Um país que sequestrou da sua história as mulheres, como Dona Hipólita Jacinta, que foi uma das inconfidentes que hoje nem sequer é noticiada nos livros; como Bárbara de Alencar, que lutou pela independência do Brasil, foi a primeira presa política, morreu sendo perseguida por sua luta e não é lembrada nos livros; por Maria Quitéria, Felipa, pela Baiana e por todas as mulheres que continuam a ser ausentes da nossa história", disse.

A magistrada destacou que a Constituição Federal garante a igualdade entre homens e mulheres. "Não há democracia sem respeito à dignidade humana. O ato de preconceito, de discriminação contra nós nos causa indignação, o que viola a Constituição", completou a magistrada.

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