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Cúpula do STJ diz que ‘Executivo não controla Judiciário’ e manifesta apoio ao STF

Cúpula do STJ defende independência do Judiciário e condena ingerência política, interna ou externa

Brasília|Do Estadão Conteúdo

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Herman Benjamin foi um dos ministros que assinou o documento Max Rocha/STJ - 22.05.2025

Em meio a sanções do governo dos EUA a ministros do Supremo Tribunal Federal, a cúpula do Superior Tribunal de Justiça lançou, nesta terça-feira (22), um manifesto de apoio à Corte máxima.

O documento diz que são ‘injustificáveis, sob qualquer ângulo, tentativas de interferência política, nacional ou internacional, no seu funcionamento e na atuação independente dos seus integrantes’.


RESUMO DA NOTÍCIA

  • A cúpula do STJ manifestou apoio ao STF em resposta a sanções dos EUA a ministros da Corte.
  • O manifesto critica tentativas de interferência política no Judiciário, destacando a independência dos magistrados.
  • Os ministros afirmam que o Poder Executivo não controla o Judiciário e que a soberania é inegociável.
  • Características do sistema judicial brasileiro incluem decisões colegiadas e mecanismos de pesos e contrapesos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O manifesto é assinado por quatro ministros: o presidente do STJ Herman Benjamin; o vice-presidente, Luís Felipe Salomão; o corregedor-nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques; e o diretor da Escola Nacional da Magistratura, Benedito Gonçalves.

Para eles, ‘ingerência interna ou externa na livre atuação do Judiciário contraria os pilares do Estado de Direito’.


Sem mencionar diretamente o caso Bolsonaro e as sanções anunciadas pelo presidente americano — tarifaço e suspensão do visto de oito ministros do STF —, a nota destaca que tentativas de ‘pressionar ou ameaçar os julgadores (e seus familiares) na esperança de que mudem ou distorçam a aplicação do Direito’ fragiliza o princípio de que a lei ‘deve valer, com o mesmo peso para todos, sem privilégio e sem perseguição’.

Escolhidos por mérito

O texto ressalta a ideia de independência do Judiciário, ao relembrar que os magistrados brasileiros são escolhidos por ‘mérito, após aprovação em dificílimo concurso público nacional’.


“O Poder Executivo não controla — e seria impensável que assim pretendesse — o funcionamento do Poder Judiciário, seja para paralisar julgamentos, seja para orientar o resultado de julgamentos”, destaca a nota.

Leia mais

“Finalmente, no Brasil as decisões dos tribunais com competência nacional são tomadas ou confirmadas de maneira colegiada. Além disso, o nosso processo civil e penal prevê um amplo leque de recursos. Há, portanto, robustos mecanismos de pesos e contrapesos que asseguram a integridade e a seriedade do sistema judicial.”


Leia o manifesto

“Como Corte Constitucional do Brasil, o Supremo Tribunal Federal exerce papel primordial na defesa do Estado Democrático de Direito, das liberdades fundamentais e dos direitos humanos. Por isso, são injustificáveis, sob qualquer ângulo, tentativas de interferência política, nacional ou internacional, no seu funcionamento e na atuação independente dos seus integrantes.

O Brasil é hoje uma vibrante democracia, com eleições e imprensa livres, instituições sólidas, separação de poderes e limites à atividade estatal decorrentes da presunção de inocência e do devido processo legal. Os princípios de uma sociedade democrática estão claramente consagrados na Constituição brasileira. O primeiro deles é a soberania, condição inegociável no Brasil e no mundo todo.

Os juízes federais e estaduais brasileiros são escolhidos por mérito, após aprovação em dificílimo concurso público nacional. O Poder Executivo não controla — e seria impensável que assim pretendesse — o funcionamento do Poder Judiciário, seja para paralisar julgamentos, seja para orientar o resultado de julgamentos.

No relacionamento com outros países, nos termos da Constituição de 1988, nosso comportamento se pauta pela igualdade entre nações, pela não-intervenção e pela solução pacífica de conflitos. Entre os princípios consagrados na Constituição, repita-se, está, logo no art. 1º, o respeito à soberania — a nossa e a dos outros.

Ingerências interna ou externa na livre atuação do Judiciário contraria os pilares do Estado de Direito, pois significaria erodir a independência, a imparcialidade e a probidade que se requer dos juízes.

Pressionar ou ameaçar os julgadores (e seus familiares) na esperança de que mudem ou distorçam a aplicação do Direito fragiliza e deslegitima a essência de um padrão de justiça baseado na máxima de que a lei vale e deve valer, com o mesmo peso, para todos, sem privilégio e sem perseguição.

Esses são os valores que devem ser defendidos, hoje e sempre.

Finalmente, no Brasil as decisões dos tribunais com competência nacional são tomadas ou confirmadas de maneira colegiada. Além disso, o nosso processo civil e penal prevê um amplo leque de recursos. Há, portanto, robustos mecanismos de pesos e contrapesos que asseguram a integridade e a seriedade do sistema judicial."

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