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É lamentável, mas não é preocupante, diz Mourão sobre assassinato de guarda petista

Vice-presidente da República repudiou o crime e disse que casos como esse 'ocorrem todo final de semana' no Brasil

Brasília|Hellen Leite, do R7, em Brasília

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O vice-presidente da República, Hamilton Mourão
O vice-presidente da República, Hamilton Mourão Marcelo Camargo/Agência Brasil

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse nesta segunda-feira (11) que o assassinato do militante do PT (Partido dos Trabalhadores) e guarda municipal Marcelo Aloizio de Arruda, 50 anos, é "lamentável", mas que casos como esse "ocorrem todo final de semana nas nossas cidades, de gente que briga e termina indo para o caminho de um matar o outro".

Ao ser questionado sobre o episódio ser preocupante, Mourão reagiu condenando o que chamou de "exploração política" do crime. "Não é preocupante, não queiram fazer exploração política disso. Vou repetir o que estou dizendo, e nós vamos fechar esse caixão. Ouçam o que estou falando: para mim, é um evento desses lamentável que ocorre todo final de semana nas nossas cidades, de gente que briga e que termina um matando o outro", disse. A declaração foi dada em conversas com jornalistas.

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Marcelo Arruda foi morto na madrugada deste domingo (10) pelo policial penal Jorge José da Rocha Guaranho, apoiador do presidente Bolsonaro (PL), que invadiu a festa de aniversário do petista que tinha como tema o ex-presidente Lula, em Foz do Iguaçu (PR).

Leia também: Flávio Bolsonaro diz que assassinato de guarda petista é 'ato isolado'

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O assassinato gerou repercussão no fim de semana, com políticos e pré-candidatos à Presidência da República se manifestando contra a violência política. Na noite deste domingo, o presidente Jair Bolsonaro também se pronunciou sobre o crime. "Que as autoridades apurem seriamente o ocorrido e tomem todas as providências cabíveis, assim como contra caluniadores que agem como urubus para tentar nos prejudicar 24 horas por dia", escreveu o presidente nas redes sociais. 

Bolsonaro afirmou que, "independente das apurações", deseja reiterar uma mensagem de 2018. "Dispensamos qualquer tipo de apoio de quem pratica violência contra opositores. A esse tipo de gente, peço que por coerência mude de lado e apoie a esquerda, que acumula um histórico inegável de episódios violentos", diz a mensagem.

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O crime

Líder do PT em Foz do Iguaçu, Marcelo Arruda foi baleado por Jorge Guaranho e reagiu à agressão, atirando contra o policial penal, que se encontra internado em estado grave, segundo a Sesp/PR (Secretaria de Segurança Pública do Paraná).

O guarda municipal foi candidato a vice-prefeito da cidade pelo PT nas eleições de 2020. O boletim de ocorrência da Polícia Civil informa que, segundo relatos de testemunhas, Guaranho era desconhecido de todos na festa. Ele chegou ao local de carro, acompanhado de uma mulher e uma criança. Com uma arma em punho, gritou "Aqui é Bolsonaro" e saiu. Nas redes sociais, o policial penal tem diversas publicações em apoio ao presidente da República.

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Jorge Guaranho é policial penal
Jorge Guaranho é policial penal

Conforme o relato do boletim de ocorrência, 20 minutos depois o policial penal retornou ainda armado e sozinho. A esposa do aniversariante, que é policial civil, se identificou no momento em que Marcelo Arruda também informou que era guarda civil e sacou a arma. Foi quando Jorge Guaranho efetuou dois disparos na direção de Arruda, que, mesmo atingido e caído no chão, revidou os tiros.

A delegada da Polícia Civil Iane Cardoso explicou que, segundo testemunhas, o policial penal chegou à festa de Arruda ouvindo uma música que remetia ao presidente Bolsonaro. De acordo com ela, pelas imagens, é possível observar que Guaranho disse alguma coisa enquanto Arruda pedia a ele que fosse embora.

Guaranho saiu, mas, em seguida, retornou e disse outra coisa. Quando o policial penal se retirou, Arruda atirou pedras contra o veículo, explicou a delegada. O policial penal, então, afirmou que iria retornar, o que fez minutos depois, ocasião em que disparou contra o guarda municipal.

Inicialmente, a Polícia Civil declarou que Guaranho havia morrido. A informação foi corrigida pela delegada Iane Cardoso, que disse em entrevista coletiva que Guaranho está vivo. "O agente penal não veio a óbito. Ele está em estado estável e foi autuado em flagrante. O delegado que estava de plantão autuou o indivíduo em flagrante delito. Ele etá custodiado pela Polícia Militar enquanto recebe auxílio médico", relatou.

A Sesp-PR informou ainda que a Polícia Civil está investigando o caso, com análise de imagens de câmera de segurança e depoimentos de testemunhas. "A Polícia Científica está atuando no procedimento pericial que auxiliará para que os fatos sejam esclarecidos e o inquérito policial relatado e encaminhado à Justiça."

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