Brasília Em reta final, CPI apura empresa de logística e amigo de Barros

Em reta final, CPI apura empresa de logística e amigo de Barros

Semana é marcada ainda por oitiva do ex-secretário de Saúde do DF Francisco de Araújo

  • Brasília | Sarah Teófilo, do R7, em Brasília

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 ouve nesta semana o motoboy Ivanildo Gonçalves da Silva, apontado em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) como funcionário da VTCLog, empresa de logística VTCLog alvo da comissão. As relações da empresa ainda foram pouco exploradas pela comissão. Também será ouvido o advogado e empresário Marcos Tolentino, amigo do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), apontado pelos senadores como sócio oculto da empresa FIB Bank, o que ele nega.

A empresa é garantidora do contrato da Precisa Medicamentos com o Ministério da Saúde para venda de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin. A FIB Bank deu uma garantia no valor de R$ 80,7 milhões em imóveis, e apesar de se chamar “bank” (banco, em inglês), não é uma instituição bancária, mas sim como uma prestadora de garantias fidejussórias (garantias pessoais).

O diretor-presidente da empresa em questão, Roberto Pereira Ramos Júnior, foi ouvido na última semana. Os senadores avaliaram, entretanto, que ele é um laranja e que a instituição é como uma “empresa fantasma”. Os sócios da empresa, conforme apontado no decorrer do depoimento, já morreram. Também foi revelado pelos senadores o caso de um vendedor de frios de Alagoas que consta como fundador da empresa, mas alega ter tido a sua assinatura falsificada e seu nome usado de forma indevida pela empresa.

Os parlamentares apontaram uma série de questões duvidosas no histórico da empresa, como o fato de ter um capital social de R$ 7,5 bilhões constituído por dois imóveis, sendo que um deles era registrado em Curitiba, e depois passou a ter registro em São Paulo.

No decorrer da oitiva, foi revelado que a FIB Bank é garantidora de um outro contrato da Precisa com o ministério, dessa vez de preservativos femininos. No caso da Covaxin, após as denúncias da CPI, o governo cancelou o contrato. A empresa também já foi garantidora de outros contratos na gestão federal, segundo o senador Rogério Carvalho, como na Advocacia-Geral da União (AGU) e Ministério da Fazenda.

O senador Humberto Costa (PT-PE) afirma que até o momento, a CPI ainda não investigou a VTCLog com profundidade, na prática. Segundo ele, informações novas surgem a todo instante na comissão, o que poderia justificar mais semanas de trabalho. A cúpula, entretanto, composta pelo presidente Omar Aziz (PSD-AM), o vice-presidente, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), defendem que a comissão encerre os trabalhos ainda no mês de setembro, com previsão de entrega de relatório até a segunda quinzena do mês.

"Acho que teria que durar o que fosse necessário. acho que ainda pode vir coisa por aí. Vamos ver. Se demorar um pouquinho mais, vai aparecer coisas interessantes. Se não aparecer coisa nova, acaba em setembro", afirmou Humberto.

Tolentino

Os senadores afirmam que Marcos Tolentino, presidente da rede de televisão Rede Brasil, é o sócio oculto da empresa, o que ele nega. O depoimento de Roberto Júnior, entretanto, reforçou a relação do advogado com a empresa. Ele afirmou que Tolentino é procurador de uma das empresas acionistas da FIB Bank, e os senadores ainda apontaram que a MB Guassu tem como endereço a localização do escritório do advogado. No dia 12 de agosto, quando Barros prestou depoimento à CPI, Tolentino o acompanhou, o que gerou alvoroço entre os parlamentares, que já apontavam que ele era o sócio oculto da empresa.

O nome de Barros surgiu na CPI depois que o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) relatou que ao informar o presidente Jair Bolsonaro sobre suspeitas envolvendo a negociação da vacina Covaxin, do laboratório Bharat Biotech, representado pela Precisa Medicamentos, o mandatário disse que a situação toda parecia ser “rolo” do líder do governo. Outras relações começaram a aparecer, como o fato de ele ter proposta a emenda à lei que permitiu a importação de vacinas indianas. Os senadores começaram a apontar, ainda, suspeitas de que o deputado atuou junto a empresas intermediárias que tentavam vender vacina ao governo brasileiro.

VTCLog e ex-secretário

O motoboy Ivanildo Gonçalves da Silva será ouvido depois que foi revelado que ele fez saques milionários de contas da VTCLog em curtos períodos. O documento do Coaf que traz o nome de Ivanildo apontou que a empresa “realizou saques em espécie de valores que aparentam artifício de burla para identificação do destino dos recursos”. A VTCLog já fechou diversos contratos com o Ministério da Saúde, e com outros ministérios, e os senadores questionam, principalmente, alguns aditivos.

No caso do ex-secretário de Saúde do Distrito Federal Francisco de Araújo Filho, a oitiva está sendo feita para atender pedidos do senador Izalci Lucas (PSDB-DF), como apurado pelo R7. O senador tem interesses eleitorais no DF, onde tem a intenção de concorrer ao governo em 2022.

A convocação de Francisco foi aprovada em junho, sendo que o requerimento é do senador Eduardo Girão (Podemos-CE). No documento, ele diz que o objetivo da oitiva é “verificar a adequada aplicação dos recursos federais repassados ao GDF em razão da pandemia de Covid-19” e e cita a operação do Ministério Público do DF e Territórios intitulada "Falso negativo", que denunciou irregularidades na compra de testes para detecção da covid-19.

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