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‘Esquema criminoso empresarial’, diz advogado que reuniu provas sobre escândalo do INSS

Eli Cohen afirmou que esquema é uma ‘fraude endêmica’ e que viveu ‘calvário’ até que as ações viessem à tona

Brasília|Rute Moraes, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Advogado Eli Cohen revelou um esquema criminoso empresarial relacionado a descontos indevidos no INSS.
  • A fraude, que começou a ser investigada em 2022, desviou mais de R$ 6 bilhões desde 2019.
  • As associações ofereciam pacotes de benefícios, prejudicando mais de um milhão de aposentados.
  • Cohen destacou a leniência do Ministério Público, dificultando ações contra o esquema.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O advogado é considerado peça-chave na descoberta do escândalo Reprodução/YouTube - 01/09/2025

Em depoimento à CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), advogado Eli Cohen afirmou, nesta segunda-feira (1°), que os escândalos envolvendo descontos indevidos por parte de associações é um “esquema criminoso empresarial”.

“Isso é um esquema criminoso empresarial. Todo mundo sabia o que tinha que fazer. Isso aqui foi muito bem pensado. Eles só não contavam comigo”, afirmou Cohen.


O advogado é considerado peça-chave na descoberta do escândalo do INSS. Em dezembro de 2022, ele foi procurado por dois aposentados que eram donos de entidades associativas e passou a investigar o caso, reunindo diversas informações. Essas pessoas atuavam como uma espécie de laranja.

Em 6 de março de 2023, ele protocolou uma notícia-crime em uma delegacia em São Paulo. Os agentes investigaram, mas teriam encerrado as investigações, de acordo com relatos do advogado. Então, Cohen procurou a imprensa.


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Neste ano, a PF deflagrou a Operação Sem Desconto, destinada a apurar tais fraudes. Em resumo, as entidades associativas faziam descontos, sem autorização, nos pagamentos de aposentados e pensionistas.

Conforme a Polícia Federal, o esquema desviou mais de R$ 6 bilhões desde 2019. Segundo Cohen, o grupo se divide em dois núcleos, um localizado em Brasília, onde fica a sede do INSS.


Na capital federal, ficam ainda os lobistas — segundo o advogado —, a exemplo de Antonio Carlos Camilo, conhecido como “careca do INSS”. Ele seria o operador financeiro do esquema.

À CPMI, Cohen explicou que associações ofereciam um pacote de benefícios aos aposentados, lesando mais de um milhão de pessoas. O esquema tinha núcleo político e jurídico, conforme o advogado.


“Isso funcionou com a leniência do Ministério Público, que tinha 500 ações sobre o mesmo mérito e encarava isso como um problema do consumidor”, prosseguiu Cohen, ao explicar que o esquema é uma “fraude endêmica”.

O advogado afirmou ainda ter conhecido aposentados que não tinham dentes, mas que possuíam descontos de entidades odontológicas em suas folhas de pagamento.

“Foi um calvário até chegar a esse momento, porque os senhores não têm a menor ideia da dificuldade que foi para fazer com que as autoridades tomassem uma providência”, desabafou.

O advogado ainda afirmou que, para montar alguma associação ou sindicato que atua nos descontos do INSS, atualmente “teria que roubar para que ela desse certo”.

“Não há a mínima possibilidade de esse negocio existir sem roubar”, alegou.

Quem é o advogado

Eli Cohen é o responsável por reunir provas usadas em investigações que revelaram o alcance do esquema de filiações forjadas de aposentados e pensionistas a entidades que descontavam, de forma ilícita, valores de benefícios do INSS.

Ele foi alvo de três pedidos de convocação no colegiado, sendo uma do relator — deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL) —, outra do líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), e a terceira, do senador Fabiano Contarato (PT-ES).

“A investigação conduzida por Cohen teria começado ainda em 2021. Na ocasião, ele concluiu que as irregularidades descobertas até então não seriam isoladas, mas um caso de ‘fraude endêmica’”, segundo consta um requerimentos.

Perguntas e Respostas

Qual foi a declaração do advogado Eli Cohen sobre o escândalo do INSS?

O advogado Eli Cohen afirmou que os escândalos envolvendo descontos indevidos por associações são um “esquema criminoso empresarial”. Ele destacou que todos sabiam o que deveria ser feito e que o esquema foi bem planejado.

Como Eli Cohen se envolveu na investigação do escândalo do INSS?

Cohen se tornou uma peça-chave na descoberta do escândalo após ser procurado por dois aposentados que eram donos de entidades associativas. Ele começou a investigar o caso e reuniu diversas informações sobre as fraudes.

O que aconteceu após Eli Cohen protocolar uma notícia-crime?

Após protocolar uma notícia-crime em uma delegacia em São Paulo em março de 2023, a investigação foi iniciada, mas parou. Como resultado, Cohen decidiu procurar a imprensa para expor a situação.

Qual foi a ação da Polícia Federal relacionada a esse esquema?

A Polícia Federal deflagrou a Operação Sem Desconto para apurar as fraudes, que envolviam descontos não autorizados nos pagamentos de aposentados e pensionistas. O crime desviou mais de R$ 6 bilhões desde 2019.

Como o esquema estava estruturado segundo Eli Cohen?

Cohen explicou que o esquema se divide em dois núcleos, um deles localizado em Brasília, onde está a sede do INSS. Ele mencionou a presença de lobistas, como Antonio Carlos Camilo, conhecido como “careca do INSS”, que atuava como operador financeiro do esquema.

Qual foi o impacto das associações sobre os aposentados?

As associações ofereciam pacotes de benefícios aos aposentados, lesando mais de um milhão de pessoas. Cohen destacou que o esquema tinha um núcleo político e jurídico, e que a leniência do Ministério Público contribuiu para a continuidade das fraudes.

O que Eli Cohen disse sobre a dificuldade de expor o esquema?

Cohen relatou que foi um “calvário” até que as autoridades tomassem providências, enfatizando a dificuldade que enfrentou para trazer o assunto à tona.

Qual a opinião de Eli Cohen sobre a criação de associações que atuam nos descontos do INSS?

Ele afirmou que, para montar uma associação ou sindicato que atua nos descontos do INSS, seria necessário “roubar” para que funcionasse, alegando que não há possibilidade de esse negócio existir sem práticas ilícitas.

Qual foi o papel de Eli Cohen nas investigações sobre o esquema?

Eli Cohen foi responsável por reunir provas que revelaram o alcance do esquema de filiações forjadas de aposentados e pensionistas a entidades que descontavam valores de benefícios do INSS de forma ilícita.

Quais foram os pedidos de convocação direcionados a Eli Cohen?

Cohen recebeu três pedidos de convocação no colegiado, um do relator, deputado federal Alfredo Gaspar, outro do líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, e um do senador Fabiano Contarato.

Quando começou a investigação conduzida por Eli Cohen?

A investigação conduzida por Cohen teria começado em 2021, levando à conclusão de que as irregularidades não eram isoladas, mas sim um caso de “fraude endêmica”.

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