Brasília Fachin recusa convite de Bolsonaro para reunião com embaixadores

Fachin recusa convite de Bolsonaro para reunião com embaixadores

Em ofício, TSE alega 'dever de imparcialidade'; chefe do Executivo deve se reunir com o corpo diplomático na segunda-feira (18)

  • Brasília | Plínio Aguiar e Kelly Almeida, do R7 em Brasília

O presidente do TSE, ministro Edson Fachin

O presidente do TSE, ministro Edson Fachin

Antonio Augusto/Secom/TSE - 1.7.2022

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Edson Fachin, recusou, nesta sexta-feira (15), um convite feito pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), para participar de um encontro com embaixadores. Na reunião, prevista para a segunda-feira (18), será discutido o processo eleitoral brasileiro.

A recusa de Fachin foi manifestada em ofício assinado pela chefe do cerimonial da Corte, Fernanda Jannuzzi, e alega o "dever de imparcialidade", já que o TSE julga ações de candidatos – como é o caso de Bolsonaro. O documento foi enviado ao chefe do cerimonial da Presidência da República, André Chermont.

"Incumbiu-me o senhor presidente do Tribunal Superior Eleitoral de agradecer ao honroso convite, mas, na condição de quem preside o Tribunal que julga a legalidade das ações dos pré-candidatos ou candidatos durante o pleito deste ano, o dever de imparcialidade o impede de comparecer a eventos por eles organizados", afirma o documento do TSE.

Bolsonaro tem falado sobre a reunião com embaixadores para discutir o processo eleitoral brasileiro. O presidente afirmou que vai mostrar ao corpo diplomático documentos relacionados às eleições de 2014, 2018 e 2020.

O chefe do Executivo sustenta que ganhou as eleições em primeiro turno, em 2018, mas nunca apresentou provas. Bolsonaro disse que vai mostrar uma apresentação com o objetivo de mostrar "tudo o que aconteceu" nos pleitos anteriores.

A reunião do atual ocupante do Palácio do Planalto com embaixadores é bem-vista pelo vice-presidente Hamilton Mourão. "O ministro Fachin já se reuniu com representantes da comunidade internacional e expôs a visão dele. Agora, o presidente vai expor a dele", disse.

"Acho que tudo é questão de manter bem informadas pessoas que estão aqui representando seus países e que, na maioria dos casos, tomam conhecimento dos assuntos pelo que leem. E, muitas vezes, o que você lê não representa a expressão da verdade", acrescentou Mourão.

Bolsonaro, que busca a reeleição, tem levantado suspeitas sobre o processo eleitoral brasileiro e as urnas eletrônicas e é crítico dos ministros do TSE e do STF (Supremo Tribunal Federal), principalmente, além de Fachin, Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. Fachin permanece na presidência da Corte até a metade de agosto. Na sequência, o comando será de Moraes.

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