Fala de Bolsonaro sobre repasse de R$ 2 milhões para Eduardo foi usada por Moraes
Ex-presidente admitiu a transferência ao filho, que estava no exterior atuando por sanções dos EUA contra o Brasil

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes utilizou uma declaração pública do ex-presidente Jair Bolsonaro como um dos fundamentos para decretar medidas cautelares contra ele no âmbito da Petição 14.129. A ação resultou em operação de busca e apreensão na casa de Bolsonaro, pela PF, nesta sexta-feira (18).
Em entrevista coletiva no dia 17 de julho, Bolsonaro confirmou ter repassado R$ 2 milhões ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), enquanto este estava no exterior promovendo articulações com autoridades norte-americanas por sanções contra o Brasil.
A Polícia Federal classificou o envio do valor, feito via Pix em 13 de maio de 2025, como elemento-chave que demonstra o envolvimento direto do ex-presidente nas ações ilícitas investigadas.
De acordo com os investigadores, os recursos serviram para financiar a ofensiva internacional liderada por Eduardo, que tenta pressionar o STF, a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a própria Polícia Federal.
Segundo o relatório da PF, Eduardo Bolsonaro vinha atuando, desde o início do ano, pela aplicação da Lei Magnitsky — legislação dos EUA voltada a punições contra autoridades estrangeiras — contra membros das instituições brasileiras.
Ele também comemorou publicamente a imposição de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, anunciada pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
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Para os investigadores, Jair Bolsonaro não apenas apoiou essas ações, mas também as estimulou, utilizando-as como instrumento de pressão para barrar a Ação Penal 2668, na qual é réu por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Em outra entrevista, Bolsonaro condicionou o fim das sanções norte-americanas à sua anistia no Brasil — o que foi interpretado como confissão de tentativa de subordinação do Judiciário nacional a interesses estrangeiros.
Investigações
A Petição 14.129 reúne elementos dos inquéritos 4995/DF e 4781. A PF aponta que tanto Bolsonaro quanto o filho atuaram com “vontade livre e consciente” para provocar desestabilização institucional, econômica e diplomática.
Ambos são investigados por obstrução de Justiça, coação no curso do processo, atentado contra o Estado Democrático de Direito e conspiração com governo estrangeiro para prática de atos hostis contra o Brasil.
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