Forças Armadas pagam 700% a mais com gastos administrativos do que com defesa do território
Custos envolvem, principalmente, pagamento de aposentadorias, vencimentos, vantagens fixas e indenizações
Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O orçamento destinado às Forças Armadas prioriza despesas administrativas em vez dos recursos empregados diretamente na proteção do território nacional. Em 2025, os gastos administrativos dos militares chegaram a R$ 73,6 bilhões, valor 700% superior aos R$ 8,52 bilhões destinados às subfunções associadas à defesa terrestre, aérea e naval, segundo dados do Portal da Transparência.
Proporcionalmente, a cada R$ 10 gastos pelo Ministério da Defesa em 2025, cerca de R$ 0,89 foram destinados à defesa do território brasileiro. O R7 pediu um posicionamento ao Ministério da Defesa e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Os gastos administrativos envolvem, principalmente, o pagamento de aposentadorias, vencimentos e vantagens fixas, além de indenizações e restituições trabalhistas. Enquanto isso, o investimento nas áreas diretamente relacionadas à proteção do território permanece praticamente estagnado há uma década.

Na visão geral da distribuição do orçamento, os R$ 8,52 bilhões gastos nas defesas aérea, naval e terrestre foram equivalentes a 8% dos R$ 95,47 bilhões em despesas executadas. Os outros R$ 86,94 bilhões foram destinados a subfunções não associadas diretamente à função Defesa nacional.
O orçamento do Ministério da Defesa contempla outras áreas de atuação, como promoção comercial, defesa civil, transporte hidroviário, atenção básica e controle ambiental.

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Ampliação dos investimentos
A discussão sobre a ampliação dos investimentos na área militar vem sendo defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante do aumento da pressão e influência dos Estados Unidos na América Latina. Em janeiro deste ano, por exemplo, militares norte-americanos invadiram a Venezuela e capturaram o ex-presidente venezuelano Nicolas Maduro.
No começo do mês, o petista disse querer “estar preparado” caso alguém decida invadir o país e citou casos de nações que aumentaram os investimentos na área militar após a guerra na Ucrânia.
“Quero estar preparado para que ninguém invada este país e leve o presidente, como eles invadiram. Quero estar preparado para a paz, não para a guerra. Quero estar preparado para ninguém ousar nos fazer de besta. Nós precisamos investir na indústria da defesa”, disse.
Segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, organização independente de geopolítica, os Estados Unidos, China, Rússia, Alemanha e Reino Unido lideram a lista de países que mais investem em defesa militar.

Cientista político e doutorando em relações internacionais, José Paulo Ferreira entende que a despriorização da defesa nacional pelo governo brasileiro ao longo dos anos é consequência de uma tradição diplomática que privilegia a cooperação, o jurisdicismo, o multilateralismo e a resolução pacífica.
“A manutenção da defesa nacional em segundo plano pelo Brasil pode ser explicada por seis fatores: a tradição diplomática, a debilidade material, o predicamento de segurança como país em desenvolvimento, a vizinhança pacífica, as relações civis-militares resultantes das reverberações da ditadura militar e a distribuição orçamentária”, disse.
“A diplomacia brasileira passou a encarar o poder das armas com ceticismo, descartando o uso da força militar como ferramenta legítima de barganha internacional”, diz Ferreira ao falar sobre a aposta de um projeto diplomático centrado exclusivamente na persuasão.
Questões como economia e posição geográfica também são fatores que contribuíram para essa opção do Brasil. Por ser um país em desenvolvimento, as prioridades políticas brasileiras sempre estiveram voltadas para dirimir disparidades sociais, promover o desenvolvimento econômico e garantir a coesão interna.
“A América do Sul consolidou-se como uma zona de paz ou zona sem guerras interestatais. Com a resolução das disputas de fronteiras e a superação de rivalidades, como a dissipação da tensão com a Argentina, que permitiu mais tarde o Mercosul, o Brasil passou a carecer de percepções de ameaças militares externas clássicas”, completou Ferreira.
O cientista político e diretor executivo do movimento político-social Livres, Magno Karl, atribuiu o abandono da área da defesa à má distribuição dos gastos públicos após a redemocratização.
“O dilema do Brasil na defesa é o dilema que enfrentamos em muitas outras áreas: um Estado que se expandiu para quase tudo, mas que executa mal aquilo que só ele pode fazer e que deveria ser prioridade”, disse.
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