Logo R7.com
RecordPlus
R7 Brasília

Forças Armadas pagam 700% a mais com gastos administrativos do que com defesa do território

Custos envolvem, principalmente, pagamento de aposentadorias, vencimentos, vantagens fixas e indenizações

Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Os gastos administrativos das Forças Armadas em 2025 foram de R$ 73,6 bilhões, superando em 700% os R$ 8,52 bilhões destinados à defesa terrestre, aérea e naval.
  • Apenas R$ 0,89 de cada R$ 10 do Ministério da Defesa foram destinados à defesa do território brasileiro em 2025.
  • O presidente Lula defende o aumento dos investimentos na área militar devido à pressão dos EUA na América Latina.
  • A diplomacia brasileira historicamente privilegia a cooperação e a resolução pacífica de conflitos, o que influencia a despriorização da defesa nacional.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

EXERCITO
Brasil investiu R$ 2,19 bilhões em defesa terrestre em 2025 Tomaz Silva/Agência Brasil - 28.04.2026

O orçamento destinado às Forças Armadas prioriza despesas administrativas em vez dos recursos empregados diretamente na proteção do território nacional. Em 2025, os gastos administrativos dos militares chegaram a R$ 73,6 bilhões, valor 700% superior aos R$ 8,52 bilhões destinados às subfunções associadas à defesa terrestre, aérea e naval, segundo dados do Portal da Transparência.

Proporcionalmente, a cada R$ 10 gastos pelo Ministério da Defesa em 2025, cerca de R$ 0,89 foram destinados à defesa do território brasileiro. O R7 pediu um posicionamento ao Ministério da Defesa e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestação.


Os gastos administrativos envolvem, principalmente, o pagamento de aposentadorias, vencimentos e vantagens fixas, além de indenizações e restituições trabalhistas. Enquanto isso, o investimento nas áreas diretamente relacionadas à proteção do território permanece praticamente estagnado há uma década.

Despesas do governo com defesa do território nacional
Despesas do governo com defesa do território nacional Arte/R7

Na visão geral da distribuição do orçamento, os R$ 8,52 bilhões gastos nas defesas aérea, naval e terrestre foram equivalentes a 8% dos R$ 95,47 bilhões em despesas executadas. Os outros R$ 86,94 bilhões foram destinados a subfunções não associadas diretamente à função Defesa nacional.


O orçamento do Ministério da Defesa contempla outras áreas de atuação, como promoção comercial, defesa civil, transporte hidroviário, atenção básica e controle ambiental.

Maiores despesas do Ministério da Defesa
Maiores despesas do Ministério da Defesa Arte/R7

Leia Mais

Ampliação dos investimentos

A discussão sobre a ampliação dos investimentos na área militar vem sendo defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante do aumento da pressão e influência dos Estados Unidos na América Latina. Em janeiro deste ano, por exemplo, militares norte-americanos invadiram a Venezuela e capturaram o ex-presidente venezuelano Nicolas Maduro.


No começo do mês, o petista disse querer “estar preparado” caso alguém decida invadir o país e citou casos de nações que aumentaram os investimentos na área militar após a guerra na Ucrânia.

“Quero estar preparado para que ninguém invada este país e leve o presidente, como eles invadiram. Quero estar preparado para a paz, não para a guerra. Quero estar preparado para ninguém ousar nos fazer de besta. Nós precisamos investir na indústria da defesa”, disse.


Segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, organização independente de geopolítica, os Estados Unidos, China, Rússia, Alemanha e Reino Unido lideram a lista de países que mais investem em defesa militar.

Países que mais investem em defesa no mundo
Países que mais investem em defesa no mundo Arte/R7

Cientista político e doutorando em relações internacionais, José Paulo Ferreira entende que a despriorização da defesa nacional pelo governo brasileiro ao longo dos anos é consequência de uma tradição diplomática que privilegia a cooperação, o jurisdicismo, o multilateralismo e a resolução pacífica.

“A manutenção da defesa nacional em segundo plano pelo Brasil pode ser explicada por seis fatores: a tradição diplomática, a debilidade material, o predicamento de segurança como país em desenvolvimento, a vizinhança pacífica, as relações civis-militares resultantes das reverberações da ditadura militar e a distribuição orçamentária”, disse.

“A diplomacia brasileira passou a encarar o poder das armas com ceticismo, descartando o uso da força militar como ferramenta legítima de barganha internacional”, diz Ferreira ao falar sobre a aposta de um projeto diplomático centrado exclusivamente na persuasão.

Questões como economia e posição geográfica também são fatores que contribuíram para essa opção do Brasil. Por ser um país em desenvolvimento, as prioridades políticas brasileiras sempre estiveram voltadas para dirimir disparidades sociais, promover o desenvolvimento econômico e garantir a coesão interna.

“A América do Sul consolidou-se como uma zona de paz ou zona sem guerras interestatais. Com a resolução das disputas de fronteiras e a superação de rivalidades, como a dissipação da tensão com a Argentina, que permitiu mais tarde o Mercosul, o Brasil passou a carecer de percepções de ameaças militares externas clássicas”, completou Ferreira.

O cientista político e diretor executivo do movimento político-social Livres, Magno Karl, atribuiu o abandono da área da defesa à má distribuição dos gastos públicos após a redemocratização.

“O dilema do Brasil na defesa é o dilema que enfrentamos em muitas outras áreas: um Estado que se expandiu para quase tudo, mas que executa mal aquilo que só ele pode fazer e que deveria ser prioridade”, disse.

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.