Brasília Governo se reúne nesta terça em busca de acordo para exploração de petróleo na foz do rio Amazonas

Governo se reúne nesta terça em busca de acordo para exploração de petróleo na foz do rio Amazonas

A ministra Marina Silva e o presidente do Ibama vão discutir com o Ministério de Minas e Energia o impasse sobre projeto da Petrobras

  • Brasília | Augusto Fernandes, do R7, em Brasília

Petrobras quer explorar região na Amazônia

Petrobras quer explorar região na Amazônia

Ricardo Moraes/Reuters – 10.09.2020

O governo federal vai se reunir na tarde desta terça-feira (23) no Palácio do Planalto para discutir um pedido da Petrobras para a exploração de petróleo na bacia da foz do rio Amazonas. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima é contra a iniciativa, mas a pasta de Minas e Energia defende dar autorização à companhia para operar na região.

Entre os integrantes do Executivo que confirmaram participação na reunião estão a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o secretário-executivo da pasta, João Paulo Capobianco, e o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho.

Também são esperados para o encontro membros de outras pastas, como os ministros da Casa Civil, Rui Costa, e do Ministério de Minas e Energia, Alexandre Silveira, além de representantes da Petrobras. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não informou se vai à reunião.

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Nesta segunda-feira (22), Marina participou de uma palestra promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e fez uma crítica a quem "destrói a natureza", sem citar a Petrobras.

"Muita contradição dizer que ama o Criador e desrespeita a criação, dizer que ama o Criador e destrói a criação, dizer que ama o Criador e está mais preocupado em ganhar dinheiro com a criação do que cuidar desse jardim, que Ele nos deu para cultivar e guardar. Pode cultivar, usar, mas guarda, protege", afirmou ela.

Na semana passada, o Ibama negou à Petrobras uma licença para explorar a bacia da foz do rio Amazonas. A decisão foi tomada por Rodrigo Agostinho. O presidente do órgão seguiu a recomendação de técnicos da diretoria de licenciamento ambiental do Ibama, que apontaram "inconsistências técnicas" da empresa de petróleo.

"Não restam dúvidas de que foram oferecidas todas as oportunidades à Petrobras para sanar pontos críticos de seu projeto, mas que este ainda apresenta inconsistências preocupantes para a operação segura em nova fronteira exploratória de alta vulnerabilidade socioambiental", afirmou o presidente do Ibama no texto em que negou a licença.

Após a decisão do Ibama, a Petrobras chegou a informar que as sondas e os recursos mobilizados na região do rio Amazonas seriam direcionados a atividades da companhia nas bacias da região Sudeste. Contudo, a empresa voltou atrás, depois que o Ministério de Minas e Energia pediu à estatal que não retire os equipamentos "por tempo adicional que possibilite o avanço das discussões".

Impasse

Em meio ao impasse, Lula prometeu mediar o conflito. Ele disse não ver problemas para o empreendimento, por entender que a região que a Petrobras quer explorar fica em alto-mar.

"Se explorar esse petróleo tiver problemas para a Amazônia, certamente não será explorado. Mas eu acho difícil, porque são 530 km de distância da Amazônia. Mas eu só posso saber quando eu chegar lá [ao Brasil]", declarou ele, horas antes de deixar o Japão, depois de ter participado da cúpula do G7, no último fim de semana.

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