Brasília GSI diz que pastores foram ao Planalto 35 vezes, mas ignora encontro com Bolsonaro

GSI diz que pastores foram ao Planalto 35 vezes, mas ignora encontro com Bolsonaro

Dados divulgados pelo órgão do governo não mostram que os suspeitos de pedir propina no MEC conversaram com o presidente

  • Brasília | Augusto Fernandes, do R7, em Brasília

Os pastores Gilmar Santos (de gravata vermelha) e Arilton Moura (de gravata cinza) com o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Luiz Eduardo Ramos

Os pastores Gilmar Santos (de gravata vermelha) e Arilton Moura (de gravata cinza) com o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Luiz Eduardo Ramos

Carolina Antunes/PR

O GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência da República divulgou um documento nesta quinta-feira (14) que informa o número de visitas feitas pelos pastores Arilton Moura Correia e Gilmar Silva dos Santos ao Palácio do Planalto. Os dois teriam participado de um suposto esquema de tráfico de influência no Ministério da Educação e são suspeitos de ter pedido propina a prefeitos em troca da liberação de verbas públicas a seus municípios.

O documento com a relação das visitas mostra que Arilton e Gilmar participaram de 35 audiências na sede do governo federal. Elas aconteceram no próprio GSI, na Casa Civil, na Secretaria de Governo, na Secretaria-Geral da Presidência da República e no gabinete do vice-presidente Hamilton Mourão. O órgão, contudo, omitiu que os pastores já estiveram no gabinete do presidente Jair Bolsonaro e até tiraram foto com ele.

A lista apresentada pelo GSI não informa um evento ocorrido em 18 de outubro de 2019, quando Bolsonaro recebeu integrantes da CONIMADB (Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil Cristo para Todos), instituição presidida por Gilmar. Na ocasião, Arilton e ele dividiram o palco com o presidente e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Luiz Eduardo Ramos.

Na relação do GSI, os líderes religiosos começaram a frequentar a sede do governo federal em 2019. O primeiro a visitar o Planalto foi Arilton, em 16 de janeiro, apenas 15 dias depois de Bolsonaro tomar posse. Ele, inclusive, foi o que mais esteve no palácio. Das 35 reuniões informadas pelo GSI, Arilton participou de todas. Gilmar esteve em dez, mas sempre acompanhado pelo colega.

Alguns dos encontros com integrantes da Presidência ocorreram mesmo depois de o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro ter acionado a CGU (Controladoria-Geral da União), em agosto do ano passado, para relatar as suspeitas de participação indevida dos pastores na pasta. Depois daquele mês, a Casa Civil recebeu Arilton seis vezes: em 21 de setembro, 2 de dezembro, 8 de dezembro (duas vezes), 8 de fevereiro e 16 de fevereiro.

De acordo com o documento do GSI, a Secretaria de Governo foi o órgão que mais vezes recebeu os pastores: 16 vezes. Já na Casa Civil, Gilmar e Arilton foram em 13 ocasiões. No gabinete de Hamilton Mourão, eles estiveram três vezes. As três reuniões restantes aconteceram no GSI, na Secretaria-Geral e no Gabinete Adjunto de Documentação Histórica. 

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