Lewandowski cita 1.100 postos sob controle do crime e determina investigação da PF
Ministro diz, também, que crime organizado pode estar controlando refinarias e usinas de produção de etanol no país
Brasília|Do R7

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, disse nesta quarta-feira (5) que mandou a Polícia Federal investigar a atuação do crime organizado na distribuição de combustíveis ao redor do país. Em entrevista coletiva à imprensa, ele citou que ao menos 1.100 postos de combustíveis no Brasil estariam sob o comando de criminosos.
“Essa é uma informação que recebemos do setor privado, que mais de 1.000 postos atuam em todo o país e que seriam controlados pelo crime organizado. Até o número mais exato que nos foi transmitido, 1.100 postos. Mas é um número a ser apurado”, disse o ministro.
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“Temos informações de que também há controle de refinarias, usinas de produção de etanol que estariam sendo também controladas pelo crime organizado. Essa é uma preocupação que o próprio governador do estado de São Paulo [Tarcísio de Freitas] nos transmitiu. Há importação irregular de combustíveis, sobretudo de nafta, sem pagamento dos tributos correspondentes. Portanto, é um problema generalizado no país”, completou.
Lewandowski evitou citar os nomes de quais refinarias estariam sendo controladas por criminosos, mas afirmou que quatro delas são de São Paulo.
“Eu não quero e não poderia citar nomes de refinarias antes da investigação ter sido concretizada, mas eu vou lhes dar uma informação que nos foi transmitida pelo governador do estado de São Paulo, e que ele diz isso publicamente, que quatro usinas de etanol que estavam em recuperação judicial teriam sido adquiridas com o dinheiro ilícito pelo crime organizado”, destacou.
“É um dado que nós temos e que não aprofundamos ainda, mas talvez nesse inquérito possamos, então, ter resultados mais concretos. Nós temos vários inquéritos em andamento, mas são inquéritos setoriais para investigar problemas localizados. O que nós queremos agora é fazer um inquérito mais amplo, mais abrangente, que talvez possa compreender esses outros inquéritos já abertos”, completou.
Investigação com outros órgãos
As declarações do ministro foram dadas após a primeira reunião do Núcleo Estratégico de Combate ao Crime Organizado, criado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Participaram do encontro representantes da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Receita Federal, do Ministério de Minas e Energia, do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
Segundo o ministro, todos os órgãos atuarão em conjunto nas investigações sobre organizações criminosas à frente de postos de combustíveis.
“Eu tenho a impressão que agora, com essa união de esforços, nós poderemos atacar esta infiltração do crime organizado, que já foi detectado pela iniciativa privada que atua no setor e que nos trouxe esse problema com grande preocupação, nós temos certeza que agora podemos fazer um combate mais efetivo”, disse.
“Esse é um setor que está causando enormes prejuízos à economia do país, não só porque é um setor que sonega bilhões de impostos, como também promove a lavagem de dinheiro, adulteração de combustível e também a formação de cartéis”, acrescentou Lewandowski.











