Marcha de Nikolas reforça base conservadora, mas aprofunda atritos internos, dizem analistas
Deputado federal organizou protesto pela liberdade e derrubada do veto à dosimetria no Congresso
Brasília|Do R7, em Brasília
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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) percorreu mais de 230 quilômetros em caminhada e mobilizou 18.000 pessoas em Brasília, onde finalizou o ato chamado de “Caminhada pela Liberdade”.
Nikolas partiu no dia 19 de Paracatu (MG) e passou sete dias na estrada com apoiadores. Segundo o deputado, o ato, além de reivindicar a liberdade, buscou pressionar o Congresso pela derrubada do veto à dosimetria das penas dos presos pelo 8 de janeiro de 2023 — incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente detido na Papudinha.
Após ser amplamente divulgado nas redes sociais, o gesto simbólico do parlamentar foi apoiado pela direita, entre membros do Congresso, governadores e apoiadores de Bolsonaro.
No entanto, especialistas apontam que a iniciativa não tem tantos efeitos práticos positivos para o bolsonarismo, e pode até ajudar a provocar “rachaduras no campo da direita”.
Segundo o cientista político e coordenador de Análise Política na BMJ Consultores Associados, Lucas Fernandes, embora o motivo oficial do protesto tenha sido a prisão do ex-presidente, a marcha não necessariamente beneficia Bolsonaro e sua estratégia para as eleições de 2026.
“O projeto aprovado pelo Congresso Nacional não consegue viabilizar o Bolsonaro nas eleições desse ano. Mesmo que o veto do presidente Lula seja derrubado, ele ainda passaria um tempo inelegível e a gente tem também o fato de que o próprio Bolsonaro já está alçando o [senador] Flávio [Bolsonaro] para essa disputa”, analisa.
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Do ponto de vista eleitoral, a mobilização tem impacto limitado na conversão de eleitores moderados ou indecisos, na opinião de Murilo Medeiros, cientista político da UnB (Universidade de Brasília).
“O verdadeiro efeito está na consolidação da base fiel e no reengajamento de eleitores desmotivados — algo eleitoralmente poderoso, sobretudo com a projeção de puxadores de votos que tendem a desequilibrar as eleições proporcionais”, observa.
Protagonismo jovem
A marcha possivelmente cumpriu um papel de reaglutinação do campo político conservador, e foi um gesto de reafirmação identitária, reforçando laços entre militantes.
Mas em meio a disputas de liderança e uma candidatura “apagada” de Flávio Bolsonaro, quem acaba mesmo colhendo os frutos dessa mobilização é o próprio Nikolas Ferreira.
Segundo Medeiros, Bolsonaro permanece como símbolo forte, mas o protagonismo começa a migrar para novas lideranças e o deputado surge como um dos principais articuladores dessa transição.
“Figuras jovens, altamente conectadas às redes sociais e capazes de transformar engajamento digital em mobilização orgânica nas ruas”, ressalta.
Com esse protagonismo voltado para Nikolas Ferreira, o efeito pode justamente ser o contrário e descentralizar ainda mais a direita e o bolsonarismo em ano de disputa pela presidência.
“Isso pode fazer com que a gente veja probabilidade de rachas na direita, como a gente já tem visto. Rusgas, discursos que muitas vezes não estão bem encaixados“, aponta o cientista político Lucas Fernandes.
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