Brasília Mayra Pinheiro, a capitã cloroquina, deixa Saúde para ser candidata a deputada federal

Mayra Pinheiro, a capitã cloroquina, deixa Saúde para ser candidata a deputada federal

Aliada de Bolsonaro, ela anunciou afastamento da pasta e se colocou como pré-candidata pelo estado do Ceará; a médica volta ao Ministério do Trabalho

  • Brasília | Sarah Teófilo, do R7, em Brasília

Mayra Pinheiro

Mayra Pinheiro

Evaristo Sá/AFP - 25.05.2021

A médica Mayra Pinheiro, conhecida como capitã cloroquina, anunciou nesta segunda-feira (14) o afastamento do cargo de secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, no Ministério da Saúde, para ser candidata a deputada federal pelo estado do Ceará em outubro. Conforme publicado no Diário Oficial da União desta segunda, ela reassumiu a função de subsecretária da Perícia Médica Federal da Secretaria de Previdência do Ministério do Trabalho e Previdência, onde é servidora pública de carreira.

"Informo a todos que acompanham a minha trajetória que, após longo período de reflexão e avaliação em conjunto com a minha família e com importantes lideranças que me motivam, que solicitei meu afastamento do Ministério da Saúde e me apresento como pré-candidata — pelo estado do Ceará — à Câmara Federal nas eleições deste ano, com o honroso apoio do presidente Jair Bolsonaro e o respaldo dos cearenses", informou.

Mayra Pinheiro passou a ser conhecida como capitã cloroquina pela defesa do uso da cloroquina em pacientes com Covid-19, ainda que o remédio seja ineficaz contra a doença. A médica foi alvo da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid-19, no Senado, no ano passado. Um dos assuntos questionados à médica no dia do seu depoimento foi a situação de Manaus no início do ano, quando pacientes morreram asfixiados em unidades de saúde por falta de oxigênio.

Em janeiro do ano passado, foi divulgado um ofício de Mayra à secretária de Saúde do município em que pressionava a gestão a usar remédios ineficazes contra a Covid, e dizia ser "inadmissível" a não adoção da orientação. No texto, ela ressaltava que o chamado "tratamento precoce" deveria ser adotado para reduzir internações e mortes. Não existe, como já foi comprovado, tratamento precoce contra a Covid-19.

Na CPI, ela também foi questionada sobre o TrateCov, plataforma lançada pelo ministério no início do ano passado em Manaus, a poucos dias da crise do oxigênio. A plataforma era aberta e apontava o diagnóstico de Covid-19 ao assinalar alguns sintomas da doença e, em todos os casos, indicava remédios ineficazes contra a Covid-19, como ivermectina e hidroxicloroquina. No final, o relatório da CPI sugeriu o indiciamento de Mayra.

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