Brasília Morador de rua do DF espancado por personal não é empresário

Morador de rua do DF espancado por personal não é empresário

Fake news nas redes diz que há na Justiça 105 processos contra empresa de homem flagrado fazendo sexo com mulher do agressor

  • Brasília | Lucas Nanini, do R7, em Brasília

O morador de rua Givaldo Alves de Souza: fake news diz que ele era empresário

O morador de rua Givaldo Alves de Souza: fake news diz que ele era empresário

RECORDTV/REPRODUÇÃO

Tem circulado nas redes sociais e sites na internet a informação falsa de que Givaldo Alves de Souza, espancado após ser flagrado em relação sexual com a mulher de um personal trainer, em Planaltina, no Distrito Federal, é empresário do ramo de transporte de cargas e responde "a mais de cem processos judiciais". Há até postagens com a foto de um homem parecido com o morador de rua e menção a "estelionato", "penhora de bens" e "medida protetiva".

Em uma das postagens, a pessoa atribui ao falso passado como empresário o motivo para ele ter “eloquência e boa dicção”, como demonstrado em entrevistas. A publicação diz que Givaldo já foi bem de vida, mas faliu e se tornou mendigo há três anos, sendo “novo no ramo”.

Informação sobre Givaldo Alves de Souza no site JusBrasil

Informação sobre Givaldo Alves de Souza no site JusBrasil

JusBrasil/Reprodução

“O cara é 171 [número do artigo referente a estelionato no Código Penal] nato, com mais de cem processos nas costas, entre eles medidas protetivas da ex, penhoras de bens das prefeituras, de ex-funcionários da sua falida empresa, estelionato e demais golpes”, consta na postagem (veja imagem abaixo).

Post com fake news no Facebook

Post com fake news no Facebook

Facebook/Reprodução

A fake news começou a ser divulgada porque a empresa em questão, a GFrigo Transportadora de Cargas, tinha como proprietário um homem também chamado Givaldo Alves de Souza. A companhia tinha sede em Jandira, no interior de São Paulo.

Uma consulta no site JusBrasil mostra que há 105 processos judiciais contra a empresa. Junto à Receita Federal, a transportadora tem situação cadastral “inapta” desde 17 de outubro de 2018, por “omissão de declarações". A checagem nos CPFs do morador de rua e do sócio da empresa mostra que são pessoas diferentes.

O R7 procurou a empresa pelos contatos informados na Receita Federal e conseguiu falar com a Lapidus Contabilidade, um escritório de Osasco que prestou serviços à GFrigo. Segundo uma funcionária da companhia, que preferiu não se identificar, a transportadora foi atendida por pouco tempo e há pelo menos cinco anos não há qualquer contato entre eles.

A Lapidus informou que tem recebido ligações frequentes de pessoas querendo saber do caso do morador de rua. “Quase sempre ligam xingando, falando desse mendigo, que ele é um estelionatário”, afirmou a funcionária do escritório contábil.

Cadastro da empresa GFrigo na Receita Federal

Cadastro da empresa GFrigo na Receita Federal

Reprodução

Relembre o caso

Em 9 de março último, o personal trainer Eduardo Alves, 31 anos, flagrou a esposa dentro de um carro mantendo relações sexuais com o homem em situação de rua. Ao ver a cena, o marido passou a agredir Givaldo. Câmeras de segurança registraram a ocorrência.

Eduardo deu uma entrevista à Record TV em 17 de março. Ele disse que a esposa havia sido internada por causa de um surto psicótico.

No dia 24, Givaldo também gravou com a emissora e negou ter estuprado a mulher. Ele chegou a contar detalhes sobre o encontro na ocasião, mas na última terça-feira (29) disse estar arrependido e envergonhado por ter exposto a intimidade da esposa do personal trainer. "Gostaria de pedir desculpas primeiramente a ela, às meninas da minha família, à minha mãe e todas vocês [mulheres]'', disse. 

O relatório médico psiquiátrico sobre a mulher aponta para a "hipótese diagnóstica de transtorno afetivo bipolar em fase maníaca psicótica". O R7 teve acesso ao documento.

O relatório detalha que ela foi levada ao pronto atendimento do Hospital Regional de Planaltina no dia 10 de março "devido às alterações de comportamento descritas e por ter se envolvido em relação sexual com pessoa em situação de rua motivada pelo quadro delirante".

FOTO: REPRODUCAO

O documento é assinado digitalmente por um médico psiquiatra da UnB (Universidade de Brasília) no dia 15 de março, seis dias depois do caso, e nele consta ainda que "a paciente não é capaz de responder por si, tampouco de exercer vários atos da vida civil, em especial o de assinar documentos e procurações, assim como o de celebrar contratos ou contratar serviços de qualquer natureza".

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