Morte de Elizabeth 2ª emociona ex-alunos de escola no DF visitada pela rainha; veja vídeo
Monarca visitou um jardim de infância na Asa Sul, em Brasília, no seu segundo dia no país e ganhou uma flor, em novembro de 1968
Brasília|Luiz Calcagno, do R7, em Brasília
Quem estudou no Jardim de Infância da SQS 308 Sul, em Brasília, no fim da década de 1960, sentiu de forma especial a morte da rainha Elizabeth 2ª nesta quinta-feira (8). O sentimento se deve ao fato de a monarca ter visitado a escola que fica em uma das quadras-modelo da capital federal e se reunido com alunos e professores, em 6 de novembro de 1968.
Uma das alunas, Jussara Medeiros Falcão, 63 anos, tinha apenas 9 à época. Ela aparece ao lado de Elizabeth 2ª em uma das fotos da visita. A expressão de incômodo, segundo ela, foi por causa do sol. "Foi emocionante receber uma rainha. Estava lotado de gente. As crianças estavam todas aqui, e uma criança a homenageou com uma rosa", recordou (veja no vídeo acima).

Jussara é filha de Maria Tereza de Medeiros Falcão, que, à época, era diretora da unidade e também aparece com a rainha em imagens da visita. O encontro teve um grande significado na história da família. "Foi um marco na vida da mamãe. E na minha. Eu tinha 9 anos e nunca me esqueci desse dia", contou.
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As histórias de quem esteve presente no dia também passaram a fazer parte da vida dos que são jovens demais para terem presenciado o fato. É o caso do empresário Antônio Aversa, 21 anos. A vice-diretora da unidade à época, Maria José Aversa, era avó de Antônio e foi convidada para passar o dia com a monarca, pois falava inglês fluente, o que, segundo ele ouviu dos avós, era raro.
O avô de Antônio, José Salvador Aversa, veio para Brasília com a esposa a convite de Juscelino Kubitschek, para presidir a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap). "Ele [José Salvador] acompanhou com minha avó a visita da Rainha à escola e em outras agendas. Minha avó nunca esqueceu desse momento, de estar ao lado da rainha", relatou.
Em uma das histórias que Maria José contou ao neto, a rainha se incomodou com um barulho constante, como uma sirene, e quis saber o que estava acontecendo. Eram as cigarras de Brasília cantando no penúltimo mês do ano. "É algo muito importante para a nossa história familiar. Todos tinham muito orgulho em falar disso. Meu pai estava na escola na visita e se lembra de pegar na mão da rainha brevemente", rememora.
Patrimônio histórico
A atual diretora do Jardim de Infância da 308 Sul, Lara Sanches, e o prefeito comunitário da quadra, Fernando Bassit, também comentaram a morte da monarca. Eles destacaram que a visita da rainha à escola ocorreu justamente por se tratar de uma quadra que deveria ser referência para todo o modelo arquitetônico da capital.
A escola tem, na fachada, uma placa doada pela Embaixada da Inglaterra em 2008, que celebra os 40 anos da visita de Elizabeth 2ª à unidade. "A visita [da monarca] foi um marco, e a escola é um marco. É tombada, um patrimônio de Brasília, projeto do arquiteto Stenio Seabra", afirmou Lara.
Bassit concordou com a educadora. "Eu fiquei triste quando soube [da morte da rainha]. Ela se tornou uma pessoa ligada a nós por sua visita, que tem um simbolismo de reconhecimento do nosso patrimônio, da nossa quadra modelo, que é tombada. Ela não veio aqui por acaso. A 308 Sul já era quadra-modelo", destacou.















