Motta depende de PT ou PL para aprovar mudança no sistema eleitoral ainda neste ano
Líderes do Centrão acertaram modelo de transição para 2030, mas precisam ampliar apoio para alcançar os 308 votos necessários
Brasília|Amanda Garcia, do R7, em Brasília
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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), terá de buscar o apoio do PT ou do PL para tentar aprovar ainda neste ano o sistema distrital misto, que prevê uma reforma no sistema de eleição dos deputados.
Embora os partidos do Centrão tenham chegado a um entendimento sobre a proposta, a articulação ainda depende da adesão de pelo menos uma das duas maiores forças políticas da Casa. A avaliação é do líder do Republicanos, Augusto Coutinho (PE).
Segundo o deputado, o próximo passo será apresentar o modelo às legendas de Lula e Flávio Bolsonaro. Sem esse apoio, a proposta dificilmente terá condições de avançar.
“Precisa que um deles acate. Como é uma PEC, precisaremos de um quórum de 308 votos”, afirmou. Depois de ser aprovada em dois turnos na Câmara, a matéria seria encaminhada ao Senado, dependendo de 49 votos em mais dois turnos.
A reforma é uma das prioridades anunciadas por Motta nessa quarta-feira (28), três dias após o segundo turno presidencial. O presidente da Câmara pretende colocar a mudança em votação ainda em 2026.
No entanto, a proposta ainda não está pronta para votação. Segundo Coutinho, a intenção é elaborar uma nova PEC (Proposta de Emenda à Constituição), aproveitando ideias de textos que já tramitam no Congresso, entre eles o projeto relatado pelo deputado Domingos Neto (PSD-CE).
O líder do Republicanos afirmou que o objetivo é reunir as duas etapas da mudança em um único texto constitucional, para evitar que a transição seja aprovada sem a definição do modelo definitivo.
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A mudança
A movimentação ocorre após o crescimento do PL nas eleições de outubro. O partido conquistou 121 cadeiras e terá a maior bancada da Câmara a partir de fevereiro.
Nos bastidores, o avanço de candidatos com grande alcance nas redes sociais reforçou as discussões sobre uma mudança nas regras eleitorais.
Coutinho, no entanto, rejeita a interpretação de que a reforma seja direcionada a um partido ou parlamentar específico. “Não é um projeto contra um ou contra outro”, afirmou.
Ele citou como exemplo a votação de Nikolas Ferreira (PL-MG), que recebeu 3.119.318 votos nas eleições de outubro e foi o deputado federal mais votado de Minas Gerais.
O desempenho ajudou o PL a conquistar 21 das 53 cadeiras do estado na Câmara. Sem os votos de Nikolas, o partido teria eleito apenas 11 deputados, se mantidos os demais resultados.
Transição até 2034
O entendimento prevê uma transição em duas etapas, com regras diferentes para as eleições de 2030 e 2034.
Na primeira fase, cada estado funcionaria como um único distrito eleitoral. Metade das vagas seria ocupada pelos candidatos individualmente mais votados, enquanto a outra metade seria distribuída proporcionalmente entre os partidos, por meio de listas previamente ordenadas.
Na prática, o modelo combinaria elementos do chamado distritão com o sistema de listas partidárias.
A partir de 2034, entraria em vigor o voto distrital misto. Os estados seriam divididos em distritos menores, nos quais cada partido poderia apresentar um candidato. Metade dos deputados seria eleita diretamente nesses distritos, e a outra metade, pelas listas partidárias.
Um parlamentar eleito pelo distrito seria retirado da lista de seu partido, abrindo espaço para o próximo nome.
Negociação
Em outras legislaturas, a Câmara já discutiu alternativas semelhantes, mas sem conseguir reunir apoio suficiente para aprová-las. Agora, os articuladores apostam no entendimento entre partidos de centro para superar esse histórico de impasses.
“Já fizemos simulações nesse sentido. Acho que tem condições, e o momento é agora. A gente tem até dezembro para fazer isso”, afirmou Coutinho.
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