Brasília Mourão critica inexperiência de secretário de Guedes, cotado para Presidência da Petrobras

Mourão critica inexperiência de secretário de Guedes, cotado para Presidência da Petrobras

O vice-presidente reconheceu, ainda, a dificuldade do governo em indicar nomes para assumir o comando da estatal

  • Brasília | Plínio Aguiar, do R7, em Brasília

Vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão

Vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão

Alan Santos/PR

Com a indefinição do governo para indicar nomes à presidência e ao conselho de administração da Petrobras, o vice-presidente, Hamilton Mourão, reconheceu, nesta quarta-feira (6), a dificuldade e criticou a inexperiência do secretário de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, Caio Paes de Andrade, um dos cotados para assumir o comando da estatal.

Para Mourão, indicar oficialmente Andrade, assessor de Paulo Guedes e visto com bons olhos pelo Palácio do Planalto, para o posto de presidente da estatal "é a mesma coisa que botar um advogado para controlar o Exército". "Vai dar problema", alertou o vice-presidente.

"Conheço o Caio, tem feito um excelente trabalho na parte de desburocratização, mas vamos ver o que pode progredir disso aí, porque, na verdade, ele não tem experiência nessa área [de gás e petróleo], ele tem experiência como gestor, mas não especificamente nessa área. E, pela própria regra de compliance da Petrobras, é difícil trazer alguém [para dentro da empresa] que não tenha experiência nessa área", completou.

Na sequência, Mourão destacou que a decisão final cabe a Jair Bolsonaro e que o "presidente é soberano". O vice-presidente, no entanto, reconheceu a dificuldade de o governo em indicar o futuro comandante da Petrobras.

"Estou vendo que está uma dificuldade para conseguir um nome. O que pode ocorrer é um adiamento da assembleia de acionistas até que se consiga um nome. Até porque existe um período de análise desses nomes. Vamos ver o que pode acontecer", destacou Mourão.

O impasse ocorre após a desistência de dois escolhidos por Bolsonaro. Na segunda-feira (4), o consultor Adriano Pires, que havia sido indicado para a presidência da Petrobras, comunicou ao Palácio do Planalto sua desistência, alegando conflito de interesses, uma vez que é sócio-diretor de uma empresa que atende diversos clientes do setor de energia e infraestrutura do país.

A desistência de Pires, que virou alvo de um pedido de investigação feito pelo Ministério Público no Tribunal de Contas da União justamente pela eventual irregularidade, ocorreu na esteira da abdicação de Rodolfo Landim, presidente do Flamengo e indicado ao conselho de administração da Petrobras.

O empresário desistiu do cargo um dia após o Flamengo perder para o Fluminense no Campeonato Carioca. Landim destacou que a indicação, feita por Bolsonaro, é uma honra, mas que resolveu abrir mão dela e dedicar seu tempo e esforço ao clube carioca.

Os novos substitutos, ainda indefinidos, precisam ser referendados pela assembleia-geral da Petrobras, prevista para o dia 13 de abril. O indicado para presidente da estatal vai ocupar a cadeira antes chefiada pelo general Joaquim Silva e Luna, demitido por Bolsonaro no mês de março.

Para Mourão, o general "é um cara de compreensão e não vai abandonar o cargo sem alguém para substituí-lo". O vice-presidente afastou as críticas de que a grise aberta influenciou os níveis do mercado. “Teve uma queda das ações, depois se recompuseram, acho que não está afetando tanto assim", defendeu.

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