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Na ONU, ministro brasileiro critica posição do Conselho de Segurança sobre conflito no Oriente Médio

O chanceler cobrou ações e disse que o grupo 'deve fazer mais'; uma resolução brasileira de cessar-fogo foi vetada pelos EUA

Brasília|Ana Isabel Mansur, do R7, em Brasília

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Mauro Vieira criticou Conselho de Segurança da ONU
Mauro Vieira criticou Conselho de Segurança da ONU

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, criticou nesta quarta-feira (29) a posição do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) em relação ao conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas, desencadeado em 7 de outubro.

A fala do chanceler ocorreu durante um debate de alto nível do grupo, em Nova York (EUA), sobre a situação no Oriente Médio


Vieira lamentou a falta de concordância do conselho, formado por 15 países-membros, para alcançar a paz na região. "A piora da situação nos últimos anos não nos levou a nos unir e agir em prol do objetivo comum de alcançar a paz para os palestinos, os israelenses e as pessoas no Oriente Médio em geral", declarou. As críticas do ministro fazem coro às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, crítico do poder de veto que alguns países do colegiado têm e defensor de uma reforma no grupo. 

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O ministro chegou a responsabilizar o conselho pela escalada do conflito. "Enquanto estamos chocados com a espiral de violência e a perda intolerável de vidas inocentes, tanto em Israel quanto na Palestina, e enquanto nos preocupamos com a possibilidade concreta de um transbordamento regional, também temos de responsabilizar o Conselho de Segurança no que tange à sua principal obrigação, de manter a paz e a segurança internacionais", criticou. 


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O chanceler cobrou mais ações do colegiado para a paz. "O Brasil considera que este conselho deve fazer mais. Ele deve unir-se para adotar um curso de ação mais decisivo e abrangente, que possa consolidar ganhos; abordar de maneira sustentável e previsível a precária situação no terreno; e promover um futuro mais seguro e esperançoso", pediu.

O Conselho de Segurança da ONU é presidido rotativamente pela China neste mês. A cadeira principal foi ocupada pelo Brasil em outubro, quando o país costurou uma resolução de cessar-fogo que foi vetada pelos Estados Unidos, mesmo com 12 votos a seu favor. Seriam necessários nove votos favoráveis para a aprovação da resolução. Os Estados Unidos, a França, a China, o Reino Unido e a Rússia, no entanto, têm poder de veto no grupo.

Esta quarta-feira (29) marca o Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino. A data foi lembrada por Vieira, que afirmou que, no momento atual, "solidariedade certamente não é a primeira palavra que vem à mente."

A situação no Oriente Médio%2C inclusive a questão palestina%2C no entanto%2C é uma das mais vetadas no Conselho de Segurança. Esse registro é um testemunho infeliz de que frequentemente discordâncias triunfam sobre interesses comuns neste órgão. O que é pior%3A não nos unimos no passado. E não parece que estamos prontos para nos unir agora.

(Mauro Vieira, chanceler brasileiro)

O ministro elogiou a trégua entre Israel e o Hamas que entrou em vigor na última sexta-feira (24). O acordo teve a mediação do Catar e o apoio do Egito e dos Estados Unidos. O cessar-fogo foi prolongado por dois dias e termina nesta quarta (29), mas há expectativa de uma nova extensão.

"Embora pontuais e temporárias, a suspensão das hostilidades e a facilitação da libertação de numerosos prisioneiros demonstram que um acordo é possível, mesmo quando parece inalcançável. A trégua é um primeiro passo rumo à redução da violência. Deve nos encorajar a superar as diferenças e cooperar com ambição", destacou.

Sem citar nenhum país, o chanceler brasileiro concluiu sua fala ao pedir união "em torno de um bem comum". "A solidariedade não é apenas uma obrigação moral. É o dever do Conselho de Segurança. Para cumprir suas responsabilidades na manutenção da paz e segurança internacionais, conforme consagrado pela Carta da ONU, o Conselho de Segurança deve elevar-se acima de qualquer interesse individual de seus membros", completou.

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