Primeira mulher a ocupar a liderança do Ministério da Saúde, a socióloga e ex-presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Nísia Trindade foi empossada nesta segunda-feira (2), em cerimônia na sede da pasta, em Brasília. Em discurso, a ministra prometeu realizar uma série de revogações de "portarias que ofendem a ciência, os direitos humanos e os direitos reprodutivos". Nísia não especificou quais medidas seriam canceladas, mas mencionou a nota técnica publicada no governo Jair Bolsonaro (PL) que autorizou a prescrição de cloroquina para tratar pacientes com Covid-19. Ela criticou posições da pasta que, segundo ela, flertaram com uma pauta negacionista. O fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), "com os recursos necessários", foi destacado como prioridade pela ministra. Ela anunciou a criação de um departamento voltado para a imunização, justificando que a cobertura vacinal do país tem sofrido queda nos últimos anos. A jornalistas, Nísia anunciou a médica pediatra Ana Gorete, coordenadora do Programa Nacional de Imunização, como responsável pelo departamento. Durante a cerimônia, a ministra anunciou os nomes que ficarão à frente de cada secretaria do Ministério da Saúde. Entre os escolhidos está a professora Ana Estela Haddad, mulher do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ela vai ocupar a liderança da Secretaria da Informação e Saúde Digital, área com que trabalha na Universidade de São Paulo (USP). A Secretaria Executiva fica com Swedenberger do Nascimento Barbosa, doutor e especialista em Saúde Coletiva, pesquisador e professor da Fiocruz. Confira as demais indicações: • Nésio Fernandes, secretário de Atenção Primária à Saúde; • Ethel Maciel, secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente; • Carlos Gadelha, secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos; • Isabela Pinto, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde; • Helvécio Magalhães; secretário de Atenção Especialidade à Saúde; • Weibe Tapeba, secretário de Saúde Indígena. Nísia Trindade era presidente da Fiocruz desde 2017 e foi exonerada ao tomar posse como ministra. Ela é doutora em sociologia, mestre em ciência política e graduada em ciências sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).