O que o STF ainda precisa decidir sobre o Banco Master
Pendências incluem análise do indiciamento de Daniel Vorcaro e destinação de bilhões de reais bloqueados
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O STF (Supremo Tribunal Federal) tem uma série de decisões pendentes relacionadas às investigações sobre o Banco Master. Entre os principais pontos estão a análise do indiciamento de Daniel Vorcaro, o pedido de prorrogação das investigações da Polícia Federal, a destinação de bilhões de reais bloqueados e a definição sobre o andamento de procedimentos que envolvem suspeitas de irregularidades relacionadas a integrantes da própria Corte.
A movimentação mais recente ocorreu na quarta-feira (4), quando o presidente do STF, ministro Edson Fachin, deu prazo de 15 dias para que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestasse sobre o relatório parcial da PF que indiciou Vorcaro e outras 14 pessoas por suspeitas de fraudes em operações entre o Banco Master e o BRB (Banco de Brasília).
Encaminhado ao Supremo em 28 de outubro, o documento da PF, com mais de 700 páginas, aponta irregularidades em operações que movimentaram cerca de R$ 17,5 bilhões entre as duas instituições. Desse total, pelo menos R$ 12,2 bilhões corresponderiam a carteiras de crédito sem comprovação de existência, segundo os investigadores.
A partir da manifestação da PGR, o Supremo poderá avaliar os próximos encaminhamentos da investigação. O Ministério Público poderá pedir novas diligências, concordar com o avanço das apurações ou apresentar denúncia contra os indiciados, caso considere que há elementos suficientes para uma ação penal.
A PF também solicitou mais 60 dias para concluir perícias e diligências complementares. O pedido de prorrogação deverá ser analisado no andamento do procedimento.
Governo do DF quer R$ 2,2 bilhões para o BRB
Outro assunto que chegou à mesa de Fachin é o pedido do governo do Distrito Federal para que o BRB seja reconhecido formalmente como vítima das fraudes investigadas e receba R$ 2,2 bilhões em recursos bloqueados pela Justiça.
A solicitação foi apresentada pela PGDF (Procuradoria-Geral do Distrito Federal) na quinta-feira (5). O dinheiro está bloqueado em nome de Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, e foi alcançado por medidas determinadas durante a investigação.
O governo argumenta que o patrimônio pode ser utilizado para reparar os prejuízos causados ao banco público. A Procuradoria também pede que o Distrito Federal seja reconhecido como vítima, na condição de controlador do BRB.
Além disso, o governo do DF apresentou outro requerimento para que sejam identificados e preservados ativos do Banco Master relacionados aos mais de R$ 12,2 bilhões transferidos pelo BRB.
Na prática, o governo quer garantir que o patrimônio relacionado às operações investigadas não seja utilizado para pagar dívidas do Master antes de ser esclarecido se os valores devem retornar ao banco público.
Bloqueios e quebras de sigilo já foram determinados
Parte das medidas judiciais já foi autorizada. Em janeiro deste ano, o então relator do caso, ministro Dias Toffoli, determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 101 pessoas e entidades investigadas.
Na mesma decisão, autorizou o bloqueio e o sequestro de bens de 38 investigados, em um total de R$ 5,7 bilhões. As medidas foram solicitadas pela PGR e tinham como objetivo preservar recursos e informações relevantes para a investigação.
Posteriormente, com a mudança na condução dos procedimentos, André Mendonça assumiu a relatoria das apurações. O ministro também determinou medidas cautelares contra investigados e conduziu novas etapas da Operação Compliance Zero.
Disputa entre ministros
Além das suspeitas de fraudes financeiras, o caso Master abriu uma frente de discussão dentro do próprio Supremo.
Duas petições estão no centro do debate. Uma delas envolve relatório da Polícia Federal produzido a partir de informações extraídas do celular de Vorcaro, com supostas mensagens relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes.
A PGR pediu a nulidade do relatório. A outra ação reúne informações sobre possíveis irregularidades na condução das investigações pelo ministro André Mendonça.
Em setembro, o plenário começou a discutir se os dois procedimentos deveriam tramitar juntos e passar por uma nova distribuição. O ministro Flávio Dino pediu vista e interrompeu a análise antes que o Supremo examinasse o mérito dos pedidos.
A proposta também envolve a identificação de magistrados mencionados nas apurações e a abertura de prazo para que eles e a PGR se manifestem.
Até agora, portanto, não houve decisão definitiva do plenário sobre a validade do relatório que menciona Moraes nem sobre a reorganização dos procedimentos. Esse caso deve ser retomado apenas em 2027.
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