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PF: Bolsonaro cometeu crime ao divulgar documentos sigilosos

Ajudante de ordens do presidente foi indiciado por colaborar com divulgação; deputado também é acusado

Brasília|Renato Souza, do R7, em Brasília

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O presidente Jair Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro

Em relatório enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal), a Polícia Federal afirma que o presidente Jair Bolsonaro, o ajudante de ordens dele, tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa, e o deputado federal Filipe Barros (PSL-PR) cometeram crime de violação de sigilo funcional ao divulgarem documentos de um inquérito sigiloso que tramita na corporação. A PF aponta a necessidade de ouvir o chefe do Executivo para a elaboração do relatório final sobre o caso.

O relatório da PF foi enviado ao Supremo em novembro, em um inquérito sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, em que o presidente é acusado de publicar nas redes sociais conteúdo de investigação sigilosa sobre uma invasão do sistema usado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na urna eletrônica.

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Por conta da divulgação do inquérito, Bolsonaro foi intimado a depor na Polícia Federal, mas, como ele não se manifestou sobre o dia, a hora e o local do depoimento no prazo de 60 dias, Moraes determinou que ele prestasse depoimento presencialmente nesta sexta-feira (28) na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. O presidente, no entanto, não compareceu. A AGU (Advocacia-Geral da União) recorreu da decisão de Moraes, mas o ministro negou o recurso, alegando que ele foi feito fora do prazo. Até a publicação desta reportagem, a AGU preparava novo recurso.

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Ao postar os documentos da investigação da PF na internet, Bolsonaro questionou a segurança das urnas eletrônicas. No entanto, o inquérito revela que não houve risco para a segurança das eleições ou alteração no resultado dos votos dos eleitores. A invasão se deu especificamente no programa usado na votação em sessões de um município do Rio de Janeiro.

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A corporação afirma que os fatos indicam cometimento de crime pelo presidente. "Por outro lado, sustentou a autoridade policial que os elementos colhidos apontam, da mesma forma, para a atuação 'direta, voluntária e consciente' de Jair Messias Bolsonaro e Filipe Barros na prática do mesmo crime. O relatório diz, ainda, que identificou-se "similaridade no modo de agir de Jair Messias Bolsonaro com a conduta esclarecida no PET nº 9.842 (Live presidencial do dia 29/07/2021)."

A Polícia Federal aponta, então, a necessidade de ouvir o presidente para "oportunizar a exposição do ponto de vista do Sr. Presidente da República em relação aos fatos e aos elementos até aqui obtidos, medida necessária para prosseguir no processo de justificação da hipótese criminal", afirmando, ainda, que a medida, "além de ser uma forma de obtenção de dados, pode ser considerada um direito subjetivo da pessoa sobre quem recai a suspeita da prática do ato, que terá o momento adequado para ratificar ou contrapor os fatos, exercendo o direito a ampla defesa".

A situação de Bolsonaro vai ser decidida depois da apreciação do novo recurso que a AGU deve apresentar. Assim como o presidente, o deputado Filipe Barros tem foro privilegiado em razão do cargo. Já o ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cesar Barbosa, foi indiciado pela polícia, em razão do envolvimento no caso.

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