Planalto vê assessor de Trump como nome de ‘baixo escalão’ e minimiza visto revogado
Avaliação interna é de que Darren Beattie omitiu o motivo da viagem ao Brasil e que o caso não tem peso para afetar a relação bilateral
Brasília|Caroline Aguiar, da RECORD Brasília, e Augusto Fernandes, do R7, em Brasília
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Integrantes do governo federal avaliam que a revogação do visto do assessor do governo americano Darren Beattie não deve provocar impactos nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Nos bastidores do Palácio do Planalto, a decisão foi tratada como um episódio pontual ligado ao descumprimento das regras de concessão de visto, sem potencial para gerar crise bilateral.
Beattie chegou a obter autorização do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na Papudinha, em Brasília. A visita estava prevista para o dia 18 de março, mas Moraes voltou atrás na decisão.
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Segundo assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a justificativa para cancelar o visto de Beattie foi a omissão de informações relevantes no pedido de entrada no país. “Se um brasileiro responde ao questionário de visto dos EUA de forma errada, ele vai ter o visto negado. Foi o que aconteceu com ele ao omitir o motivo da viagem”, disse um assessor presidencial.
Dentro do governo, também pesa a avaliação de que Beattie não ocupa um posto capaz de influenciar decisões estratégicas na política externa americana. Embora atue como assessor sênior para Política em Relação ao Brasil na gestão de Donald Trump, ele é classificado por integrantes do Planalto como um funcionário de baixo escalão. Por isso, considera-se improvável que o episódio interfira na relação bilateral ou leve ao cancelamento ou a um novo adiamento de um eventual encontro entre Lula e Trump.
Visita a Bolsonaro desautorizada
Moraes recuou da decisão que permitia a visita de Beattie a Bolsonaro após manifestação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Em documento enviado ao magistrado, o chanceler alertou que o encontro poderia configurar “indevida ingerência nos assuntos internos” do Brasil em ano eleitoral.
Vieira informou ainda que a visita ao ex-presidente não constava entre os objetivos oficialmente comunicados pelo governo americano. De acordo com o chanceler, o visto para Beattie foi solicitado com base na informação de que o assessor participaria de um evento voltado à promoção das relações bilaterais e teria reuniões oficiais no país.
Segundo o ministro, o governo dos Estados Unidos informou que Beattie viajaria ao Brasil “para uma conferência sobre minerais críticos e para reuniões oficiais com representantes do governo brasileiro”. A eventual visita a Bolsonaro, no entanto, não havia sido comunicada previamente às autoridades brasileiras.
Diante da situação, o Ministério das Relações Exteriores decidiu revogar o visto. Em nota, a pasta afirmou que a medida foi tomada diante da “omissão e falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita por ocasião da solicitação do visto, em Washington”.
O Itamaraty acrescentou que essa circunstância constitui fundamento legal suficiente para a negativa ou cancelamento do documento, de acordo com a legislação nacional e internacional.
Lula cobra liberação de vistos de Padilha
Durante evento no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (13), Lula comentou o episódio e afirmou que Beattie só poderá entrar no Brasil quando os Estados Unidos liberarem os vistos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
“Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, para visitar Jair Bolsonaro, foi proibido de visitar. E eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que estão bloqueados”, afirmou o presidente.
Lula lembrou que, em 2025, os Estados Unidos cancelaram os vistos da mulher e da filha de Padilha. Na ocasião, o documento do ministro já estava vencido e, portanto, não poderia ser cancelado. “Padilha, esteja certo de que você está sendo protegido”, declarou o presidente.
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