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Manutenção da prisão de Vorcaro e novo advogado aumentam pressão por delação

Advogado do banqueiro que se colocava contra acordo de colaboração premiada deixou a defesa do dono do Banco Master

Brasília|Gabriela Coelho, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A pressão por uma delaçã premiada de Daniel Vorcaro aumentou após a decisão do STF pela manutenção de sua prisão.
  • A troca de advogados, com a entrada de José Luis Oliveira Lima, levanta expectativas sobre possíveis negociações de acordo.
  • Vorcaro é acusado de fraudes que causaram um prejuízo de quase R$ 40 bilhões ao sistema financeiro e de corrupção ativa.
  • Ele é investigado por liderar uma milícia privada e por ordens diretas de violência contra opositores e jornalistas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Daniel Vorcaro está preso na Penitenciária Federal de Brasília
Daniel Vorcaro está preso na Penitenciária Federal de Brasília Reprodução/Esfera Brasil

A pressão por uma eventual delação premiada do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, aumentou após a maioria da Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) votar pela manutenção dele na prisão. A expectativa em torno de um acordo também cresceu com a troca na equipe de advogados do banqueiro.

Integrantes do STF ouvidos pelo R7 não descartam a possibilidade de negociação. A reportagem também apurou que Vorcaro já teve uma conversa preliminar sobre o tema.

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Nessa sexta-feira (13), o advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como “Juca”, assumiu a defesa do banqueiro. Ele substituiu Pierpaolo Bottini, que declarava publicamente que não pensava em firmar um acordo de colaboração.

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A troca de advogados muitas vezes é vista como um sinal de que um investigado pode estar avaliando ou iniciando negociações para um acordo de colaboração premiada.

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Caso Vorcaro escolha por esse caminho, ele terá de se comprometer a confessar crimes e fornecer informações relevantes sobre outras pessoas em troca de benefícios, como redução de pena ou regime mais brando de prisão.

Nesse cenário, o empresário teria de apresentar documentos, mensagens ou registros e explicar como funcionavam as fraudes envolvendo o Banco Master. Uma eventual delação de Vorcaro, contudo, precisaria ser confirmada pelas autoridades com outras provas.

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Prisão de Vorcaro

O julgamento no plenário virtual da Segunda Turma do STF sobre a prisão preventiva de Vorcaro ainda não foi finalizado, mas a maioria dos ministros do colegiado já votou para mantê-lo na Penitenciária Federal de Brasília.

Além do relator do caso, André Mendonça, votaram para confirmar a prisão os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. Falta o voto de Gilmar Mendes.

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Dias Toffoli também faz parte da Segunda Turma, mas se declarou suspeito para votar.

Toffoli era relator dos processos sobre o Master no STF, mas acabou afastado dessa função após a Polícia Federal encontrar mensagens no celular do banqueiro com referências ao ministro.

Na última quarta-feira (11), o magistrado também se declarou suspeito para analisar todas as novas ações relacionadas ao caso.

Investigação sobre Vorcaro

A investigação da Polícia Federal que levou Vorcaro à cadeia revelou que o empresário teria cometido crimes contra o Sistema Financeiro Nacional a partir da gestão fraudulenta de instituição financeira, indução de investidor em erro mediante fraude e emissão ou negociação irregular de valores mobiliários.

Segundo a investigação, ele estruturou um esquema para captar recursos, emitindo títulos bancários com remuneração muito acima da média de mercado, direcionando esses valores para investimentos de alto risco e baixa liquidez do seu próprio conglomerado.

Estima-se que as fraudes deixaram um rombo de quase R$ 40 bilhões no mercado financeiro, que precisou ser coberto pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Vorcaro também é acusado pela Polícia Federal de corrupção ativa e violação de sigilo funcional. Ele teria cooptado e pago propinas a servidores do alto escalão do Banco Central, que passaram a atuar como uma espécie de “consultores privados”, revisando documentos do banco antes de serem enviados ao próprio Banco Central e repassando orientações estratégicas para que Vorcaro pudesse contornar as fiscalizações.

A PF também acusa o banqueiro de formação de organização criminosa e lavagem de capitais. Vorcaro teria utilizado pessoas jurídicas e contratos simulados de consultoria para disfarçar repasses financeiros e viabilizar o pagamento de propinas aos servidores corrompidos e aos membros de sua milícia.

Além disso, o dono do Master teria cometido lavagem e ocultação de bens ao transferir ao menos R$ 2,24 bilhões para uma conta no nome do pai dele, que era operada por uma empresa investigada por lavar dinheiro para o crime organizado.

Vorcaro também é suspeito de coação no curso do processo, fraude processual e denunciação caluniosa. Para silenciar qualquer oposição, ele supostamente liderava e financiava uma “milícia privada” chamada “A Turma”, chefiada por Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”.

A investigação interceptou mensagens em que Vorcaro dava ordens diretas para rastrear, intimidar e cometer violência física contra ex-funcionários, concorrentes e jornalistas. Um dos episódios envolveu a ordem de Vorcaro para forjar um assalto com o objetivo de espancar e “quebrar todos os dentes” de um jornalista que publicava notícias negativas sobre ele.

Banco Master: os núcleos apontados pela Operação Compliance Zero Arte/R7
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