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Retomada da tensão entre EUA e Irã muda plano do Brasil para gasolina e pressiona governos

Guerra no Oriente Médio obrigou 50 países a adotarem políticas para reduzir custos de energia

Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A escalada do conflito entre EUA e Irã impactou o preço do petróleo, afetando 50 países que adotaram medidas para reduzir custos de energia.
  • No Brasil, o governo adiou a retirada do subsídio à gasolina e reduziu tributos sobre combustíveis para mitigar os efeitos da alta do petróleo.
  • Países como Quênia e Índia adotaram medidas como redução de impostos, racionamento e incentivos à transição para combustíveis alternativos.
  • Os Estados Unidos, embora envolvidos no conflito, beneficiaram-se economicamente com o aumento dos lucros no setor energético.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Alta do barril de petróleo foi impulsionada pela obstrução no Estreito de Ormuz, no Oriente Médio Reuters/Issei Kato/File Photo

A nova escalada do conflito entre os Estados Unidos e Irã voltou a trazer consequências econômicas e geopolíticas para diversos países, que foram afetados, principalmente, pela disparada do preço do petróleo. O colapso da trégua entre os americanos e iranianos obrigou ao menos 50 nações a adotarem medidas políticas e econômicas para reduzir o aumento dos custos de energia.

No Brasil, por exemplo, o governo federal decidiu adiar a retirada total ou parcial do subsídio à gasolina, que seria aplicada essa semana. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, com a oscilação do petróleo, o governo também pretende ter “cautela” na retirada da subvenção ao diesel.


📌O impacto no preço dos combustíveis se dá, principalmente, pela alta do barril de petróleo, gerada pela obstrução no Estreito de Ormuz, no Oriente Médio. O local é considerado estratégico: por ali passa, diariamente, cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo.

De acordo com a atualização mais recente da AIE (Agência Internacional de Energia), em 12 de junho, a maior parte dos países adotou medidas de ajuste de impostos ou investiu em campanhas de conscientização. No total, 58 nações adotaram alguma norma.


No Quênia, por exemplo, o governo chegou a reduzir o preço do diesel e do IVA sobre combustíveis, além de implementar uma isenção limitada de direitos de importação para veículos elétricos.

O país africano está entre os mais afetados pelo conflito. Em maio, uma onda de protestos contra o aumento do preço dos combustíveis deixou ao menos quatro pessoas mortas. Segundo a imprensa internacional, o Quênia é considerado altamente vulnerável à turbulência comercial causada pelo conflito, dada a sua dependência das importações de combustíveis e fertilizantes.


Na Ásia, países como Índia e Bangladesh responderam às interrupções no fornecimento com racionamento, aumento da produção de refinarias, importações emergenciais e incentivos para acelerar a transição para combustíveis alternativos.

Quarenta países lançaram campanhas de conscientização pública, solicitando ou exigindo que as pessoas limitem seu consumo de energia. Na Irlanda e no Japão, por exemplo, o governo incentivou a conservação de energia, enquanto as Filipinas e outros países declararam estado de emergência energética nacional.


Já os Estados Unidos, apesar do envolvimento direto na guerra, é um dos países que se beneficia economicamente diante do cenário. Isso porque a alta do preço do petróleo trouxe um maior lucro para produtores.

A Exxon Mobil, empresa multinacional de petróleo e gás dos Estados Unidos, informou que teve um aumento de cerca de US$ 5 bilhões nos lucros do segundo trimestre em comparação ao período anterior.

Entre as medidas tomadas pelo governo norte-americano em meio à guerra está o aumento de 13% nas exportações de gás natural do terminal de Plaquemines para países sem acordo de livre comércio.

Os EUA ainda liberaram 90 milhões de barris de petróleo bruto e 17 milhões de barris de derivados de petróleo dos estoques públicos, como parte da liberação emergencial coordenada pela AIE.

Brasil

No Brasil, além do subsídio à gasolina, o governo reduziu temporariamente os tributos incidentes sobre o QAv (querosene de aviação) e a redução do IOF sobre operações financeiras das companhias aéreas e do Imposto de Renda sobre o leasing de aeronaves.

Houve também a decisão de zerar as alíquotas do PIS e Cofins sobre a importação e comercialização do diesel.

Entre as consequências da guerra para o Brasil estão a alta no preço dos combustíveis e fertilizantes. O país pode enfrentar, ainda, um aumento das despesas obrigatórias, devido ao impacto da alta inflacionária no reajuste do salário mínimo, a partir de 2027.

Relembre o conflito

O conflito entre os EUA e o Irã tomou uma proporção maior durante a guerra em Gaza, quando o grupo terrorista Hamas estava sendo financiado por iranianos. No ano passado, Donald Trump retomou a campanha contra Teerã, ao mesmo tempo em que iniciou negociações relacionadas ao programa nuclear iraniano.

A escalada se deu, ainda, após a Agência Internacional de Energia Atômica declarar que o Irã estava violando suas obrigações de não proliferação pela primeira vez em 20 anos. Na sequência, o governo abriu um local secreto para enriquecimento de urânio. No dia seguinte, Israel realizou um ataque nuclear.

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