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Especialistas veem limites para China substituir mercado norte-americano após tarifaço

Diante do cenário, foco do governo brasileiro segue na diversificação de aliados, mas também na continuidade do diálogo com os EUA

Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Brasil busca novas parcerias comerciais após os EUA aplicarem tarifas em mais de 4.000 produtos brasileiros.
  • A China, maior parceira comercial do Brasil, não consegue substituir completamente o mercado norte-americano, especialmente em produtos manufaturados.
  • O governo brasileiro também está negociando acordos de livre comércio com a Coreia do Sul e o Japão.
  • A estratégia brasileira inclui diversificação de parceiros comerciais e diálogo contínuo com os EUA para minimizar os impactos das tarifas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Parte das exportações do Brasil para os EUA pode enfrentar tributação de até 37,5% com tarifas Reuters/Al Drago

Alvo de um novo tarifaço dos Estados Unidos, o Brasil busca manter o diálogo com o governo de Donald Trump, ao mesmo tempo em que tenta construir novas parcerias comerciais. Entre as alternativas está a China, que, apesar de ser a maior parceira do Brasil, não consegue absorver automaticamente a lacuna deixada pelo mercado norte-americano, segundo especialistas ouvidos pelo R7.

A tentativa de expansão da colaboração com os chineses é focada principalmente nos segmentos ligados ao agronegócio, o que dificultaria a incorporação, por parte do país asiático, dos produtos manufaturados e de maior valor agregado produzidos pelo Brasil.

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“Não é um mercado fácil. Existem barreiras sanitárias, tarifárias e toda uma legislação que o empresário precisa cumprir para deixar o produto apto ao consumo no mercado interno”, destaca o especialista em comércio exterior Felipe Teixeira, que aponta ainda as longas distâncias entre Brasil e China como um dificultador para as relações comerciais entre as duas nações.

“Para um país da Ásia, exportar uma fruta ou uma commodity para a China é muito mais simples do que para o Brasil, que precisa colocar a carga em contêiner, embarcar em navio e enfrentar uma logística muito mais longa e cara. Tudo isso precisa entrar na conta para saber se a operação realmente é viável”, argumenta.

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Desde 2009, o país asiático é o maior parceiro comercial do Brasil, tendo alcançado o recorde no intercâmbio comercial em 2025, com US$ 100 bilhões. Além da China, o governo brasileiro negocia acordos de livre comércio com a Coreia do Sul e Japão.

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Mercosul e China

A necessidade de ampliar mercados também levou o governo a atuar diretamente na expansão das parcerias do Mercosul. No último dia 26, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping, da China, concordaram em acelerar as tratativas para um acordo Mercosul-China, “que contemple as necessárias flexibilidades”.

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Em outra frente, o bloco promulgou, no dia 28 de julho, um acordo de livre comércio com Singapura, que prevê a eliminação de tarifas para 100% das exportações brasileiras ao país asiático.

Para a internacionalista e diretora de Relações Governamentais da BJM, Rebeca Lucena, o acordo entre o Mercosul e a China pode aumentar a sensibilidade política em Washington. Isso não significa, na avaliação dela, que o Brasil esteja optando por um alinhamento exclusivo com Pequim ou se afastando dos Estados Unidos.

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“É claro que esse movimento pode ser utilizado politicamente pelo governo americano, mas uma tentativa de pressionar o Brasil a abandonar essa negociação tende a produzir o efeito contrário. Quanto maior a utilização de tarifas como instrumento de política externa, maior o incentivo para que países como o Brasil diversifiquem seus parceiros comerciais e reduzam sua dependência de um único mercado”, ressalta.

O possível acordo não é imediato e leva tempo, principalmente por englobar outros países, o que traz o foco para as parcerias bilaterais. A especialista entende que a aproximação com a China não precisa ser interpretada como uma substituição de alianças, “mas como parte de uma política externa que busca preservar autonomia e reduzir a dependência de qualquer mercado específico”.

Margem para negociar

Com a nova taxação dos EUA, o governo brasileiro avaliou, em um primeiro momento, aplicar a lei da reciprocidade, voltando atrás após pressão de entidades empresariais, que acreditam que uma eventual “retaliação” pode agravar os impactos sobre as exportações brasileiras, principalmente por acreditarem que a motivação de Trump é política, o que tornaria a medida pouco eficaz.

O cenário fez com que o Executivo descartasse a ofensiva e focasse em uma estratégia de reação fria e calculada, buscando preservar margem de negociação e maximizar ganhos para o Brasil.

Para o especialista em comércio exterior Jackson Campos, a aplicação da lei da reciprocidade teria o poder de punir o brasileiro ainda mais, com impactos que ultrapassam os efeitos das tarifas em vigor.

“O Brasil depende muito da tecnologia dos EUA por meio de importações, então aplicar a lei da reciprocidade é punir o brasileiro duas vezes: uma pelo desemprego que as quedas nas exportações podem gerar e outra porque, aumentando o imposto de produtos importados, o custo será repassado ao consumidor, gerando inflação”, salientou.

Rebeca Lucena destaca que o período eleitoral, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos (eleições legislativas), deve contribuir para o prolongamento das negociações. “Nesse contexto, a política comercial tende a permanecer fortemente influenciada por considerações domésticas e eleitorais, o que pode dificultar uma solução definitiva, mas não impede avanços graduais, novas exceções e entendimentos setoriais”, finaliza.

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