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Sem acordo, Câmara adia votação de projeto que criminaliza misoginia

Sem consenso entre os líderes, proposta fica fora da pauta desta semana e deve continuar em negociação na Câmara

Brasília|Amanda Garcia, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A votação do projeto que criminaliza a misoginia foi adiada na Câmara dos Deputados por falta de consenso entre os líderes.
  • A Frente Parlamentar Evangélica resiste à proposta e exige mudanças, especialmente para que a misoginia seja regulamentada de forma autônoma, fora da Lei do Racismo.
  • O presidente da Câmara, Hugo Motta, considera o projeto prioritário, mas não conseguiu garantir a votação nesta semana devido às preocupações da Frente Evangélica.
  • A discussão sobre o projeto deve continuar, com a possibilidade de votação nas próximas semanas durante o esforço concentrado do Congresso.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Não houve acordo entre líderes para incluir a proposta na pauta da Câmara desta semana Marina Ramos/Câmara dos Deputados - 11.08.2026

A Câmara dos Deputados não deve votar, por enquanto, o projeto que criminaliza a misoginia nesta semana. O R7 apurou que não houve acordo entre os líderes para incluir a proposta na pauta da semana. A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que acompanha as negociações, avaliou que o texto não será votado neste momento.

A proposta é alvo de resistência da Frente Parlamentar Evangélica, que cobra mudanças no texto antes de apoiar a votação. Em nota divulgada nesta terça-feira (11), a bancada afirmou que “não há acordo firmado” sobre o projeto e disse que segue discutindo a proposta “com muita seriedade e rigor técnico”.


A principal reivindicação dos evangélicos é de que a regulamentação da misoginia seja feita de forma autônoma, fora da Lei do Racismo.

Segundo a frente, a preocupação é evitar interpretações que possam “criminalizar a nossa fé ou ameaçar a liberdade de expressão e de culto”.


O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), havia dito antes da reunião de líderes que considerava o projeto uma prioridade, mas não conseguia cravar a votação nesta semana. Segundo ele, a Frente Evangélica demonstrou preocupação sobre a forma como o crime de misoginia seria caracterizado e comprovado.

Motta citou como exemplo o receio de que um pastor ou padre pudesse ser enquadrado pelo crime ao ler um trecho da Bíblia.


A relatora do projeto, deputada Tabata Amaral (PSB-SP), vinha negociando uma redação de consenso com o governo, as bancadas e a Frente Parlamentar Evangélica.

O texto aprovado pelo Senado altera a Lei do Racismo para incluir a misoginia entre os crimes previstos na legislação, o que faria com que a conduta fosse considerada imprescritível e inafiançável.


Apesar do impasse, Motta afirmou que a Câmara deve continuar discutindo a proposta. O presidente defendeu a necessidade de combater diferentes formas de violência contra as mulheres, incluindo agressões verbais e ataques em redes sociais.

A votação poderá voltar a ser discutida nas próximas semanas, durante o novo esforço concentrado do Congresso, previsto para o fim de agosto e o início de setembro.

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