Logo R7.com
RecordPlus
R7 Brasília

Sob comando da oposição, CCJ da Câmara avança com pauta ‘anti-STF’

CCJ aprovou três projetos, como limitação de decisões individuais de ministros e autorização para Congresso revogar decisões da corte

Brasília|Rute Moraes, do R7, em Brasília

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Uma das propostas permite ao Congresso suspender decisão do Supremo
Uma das propostas permite ao Congresso suspender decisão do Supremo ROSINEI COUTINHO/STF

Nessa quarta-feira (9), a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) na Câmara dos Deputados aprovou um “pacote” de propostas que limitam a atuação do STF (Supremo Tribunal Federal). Comandado pela deputada federal de oposição Caroline de Toni (PL-SC), o colegiado tem dado celeridade na análise de uma agenda que combata o chamado “ativismo judicial”.

LEIA MAIS

Em quatro votações ao longo de quase nove horas, a CCJ aprovou a limitação de decisões individuais de ministros do STF, a autorização para o Congresso revogar decisões da corte e alterações na lei de impeachment dos magistrados. As propostas tiveram posicionamentos favoráveis de, no mínimo, 30 deputados. As matérias são as seguintes:


As PECs aprovadas pelo colegiado agora serão analisadas por comissões especiais. Depois, vão ao plenário. A PEC 8, se aprovada sem alterações, será promulgada, pois já recebeu aval do Senado. Os projetos de lei seguem para votação em plenário.

Para De Toni, o amplo apoio dos deputados da CCJ demonstra que “existem excessos do Poder Judiciário, que precisam de correção para o reequilíbrio dos Poderes”. “As PECs restabelecem o equilíbrio e fazem o Legislativo zelar pelas próprias competências”, avaliou. Ela ainda disse esperar que o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), dê prosseguimento às pautas na Câmara.


Durante a votação, a ala governista foi vencida, pois orientou voto contrário aos textos. Membros do governo na Casa avaliaram que a pauta da comissão “se transformou em pauta de afronta à Constituição”.

Deputada da base governista, Erika Kokay (PT-DF) considera que as propostas “atentam contra a democracia”, pois altera os “pesos e contra pesos”. “Os parlamentares dos partidos da base que votaram favoravelmente a essas proposições talvez não entendam a dimensão delas, e que isso faz parte de uma construção dos resultados eleitorais e à própria democracia. É importante conversar com esses partidos”, disse ela ao R7.


A aprovação dos textos vem na esteira de uma série de decisões do Supremo que incomodaram o Congresso, como: suspensão do pagamento de emendas parlamentares, suspensão da desoneração da folha de pagamento, descriminalização do porte da maconha para uso pessoal e inconstitucionalidade do marco temporal, entre outras.

A maioria dessas ações já é discutidas entre Legislativo e Judiciário a fim de seja firmado um entendimento, mas elas ainda são usadas como justificativa para muitos parlamentares serem favoráveis aos projetos contra o STF.


Propostas são constitucionais?

O professor da USP (Universidade de São Paulo) Rubens Beçak, mestre e doutor em Direito Constitucional, avalia que “é perfeitamente normal que o Congresso discuta tais propostas”, mas diz que se as matérias forem aprovadas, podem ser declaradas inconstitucionais por parte da Suprema Corte.

Ele diz ser importante a PEC que limita decisões individuais de ministros do STF, mas ressalta que a própria corte já está se policiando com relação a isso. Sobre a proposta que autoriza ao Congresso para derrubar decisões do STF, o professor diz que ela “retira do STF o poder que ele tem de ser o fiel da balança”.

“Se começarmos a dizer que o STF não é mais o senhor da situação, estamos desbalanceando o Poder. E quando houver um problema com o Congresso?”, questionou. “[Você] pode até reprovar a ação do Supremo em uma série de campos, mas tem que ver o geral. No geral, o Supremo acerta nas decisões. Um exemplo recente são as ações do 8 de Janeiro. Se não tivesse uma ação rápida, talvez não estivéssemos mais em um estado democrático”, analisou.

Advogado criminalista, Thiago Turbay avaliou que o “cabo de guerra” entre Congresso e Judiciário “não faz bem à democracia”.

“Não parece haver equilíbrio razoável no toma lá dá cá”, ponderou. “O Senado Federal e o Poder Legislativo não avoca para si poderes jurisdicionais e de controle de convencionalidade e constitucionalidade jurídica. Estruturar o desenho institucional do sistema de Justiça precisa ser visto a partir de uma dívida em favor da racionalidade das soluções”, pontuou.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.