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8 de Janeiro: STF já condenou mais de 800 réus por atos antidemocráticos em Brasília

Cerca de 60 condenados pelos atos golpistas estão foragidos na Argentina e são alvos de pedidos de extradição

Brasília|Da Agência Brasil

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Mais de 800 réus foram condenados pelo STF pela trama golpista de 8 de janeiro de 2023.
  • Cerca de 60 condenados estão foragidos na Argentina, com pedidos de extradição em tramitação.
  • Os crimes variam de tentativa de golpe de Estado a organização criminosa armada, com 810 condenações registradas.
  • Entre os condenados, Dêbora Rodrigues dos Santos foi sentenciada a 14 anos por participar dos atos e vandalizar patrimônio público.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Condenados pela trama foram julgados pelo STF ao longo de quatro meses Marcelo Camargo/Agência Brasil - 08.01.2023

Três anos após os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) já condenou mais de 800 acusados de participação nos atos que tentaram abalar a democracia brasileira e o funcionamento das instituições, no final do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os números foram apurados pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos relacionados à tentativa de golpe, até meados de dezembro de 2025. Os dados ainda podem sofrer atualizações.

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Após os atos golpistas, a PGR (Procuradoria-Geral da República) protocolou 1.734 ações penais no STF. As acusações foram divididas entre incitadores, executores e quatro núcleos principais, que deram sustentação à tentativa de Bolsonaro de se manter no poder após perder as eleições, subvertendo assim a ordem democrática.

Núcleos

Com a finalização do julgamento dos réus pela trama golpista, o STF condenou 29 à prisão nos quatro núcleos principais da trama golpista. Somente dois foram absolvidos. Os acusados pertencem aos núcleos 1,2,3 e 4.

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O general de Exército Estevam Theófilo, que foi denunciado no Núcleo 3; e Fernando de Sousa Oliveira, delegado de carreira da PF e ex-diretor de Operações do Ministério da Justiça, réu do Núcleo 2, foram os únicos absolvidos por falta de provas.

Até o momento, somente os réus do Núcleo 1, formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete, tiveram as condenações executadas. Os demais núcleos ainda estão em fase de recurso.

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As condenações ocorreram pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Para julgar os quatro núcleos, ao longo de quatro meses, foram realizadas 21 sessões pela Primeira Turma, colegiado responsável pelo julgamento.

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O Núcleo 5 é formado pelo réu Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente da ditadura João Figueiredo. Ele mora dos Estados Unidos, e não há previsão para o julgamento.

Quem são os condenados

Núcleo 1 – data da condenação: 11 de setembro de 2025

  • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República: 27 anos e três meses
  • Walter Braga Netto, ex-ministro e candidato à vice na chapa de 2022: 26 anos;
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha: 24 anos;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal: 24 anos;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional): 21 anos;
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa: 19 anos; 
  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência): 16 anos, um mês e 15 dias;
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro: 2 anos em regime aberto e garantia de liberdade pela delação premiada. 

Núcleo 2 – data da condenação: 16 de dezembro de 2025

  • Mário Fernandes, general da reserva do Exército: 26 anos e seis meses de prisão;
  • Silvinei Vasques, ex-diretor da PRF (Polícia Rodoviária Federal): 24 anos e seis meses de prisão;
  • Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro: 21 anos de prisão; 
  • Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais do ex- presidente Jair Bolsonaro: 21 anos de prisão;
  • Marília de Alencar, ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça: 8 anos e seis meses de prisão.  

Núcleo 3 – data da condenação: 18 de dezembro de 2025

  • Hélio Ferreira Lima, tenente-coronel: 24 anos de prisão; 
  • Rafael Martins de Oliveira, tenente-coronel: 21 anos de prisão; 
  • Rodrigo Bezerra de Azevedo, tenente-coronel: 21 anos de prisão; 
  • Wladimir Matos Soares, policial federal: 21 anos de prisão; 
  • Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros , tenente-coronel: 17 anos de prisão; 
  • Bernardo Romão Correa Netto, coronel: 17 anos de prisão; 
  • Fabrício Moreira de Bastos, coronel: 16 anos de prisão; 
  • Márcio Nunes de Resende Júnior, coronel: 3 anos e cinco meses de prisão; 
  • Ronald Ferreira de Araújo Júnior, tenente-coronel: um ano e onze meses de prisão. 

Núcleo 4 – data da condenação: 21 de outubro de 2025

  • Ângelo Martins Denicoli, major da reserva do Exército: 17 anos de prisão; 
  • Reginaldo Vieira de Abreu, coronel do Exército: 15 anos e seis meses de prisão;
  • Marcelo Araújo Bormevet, policial federal: 14 anos e seis meses de prisão;
  • Giancarlo Gomes Rodrigues, subtenente do Exército: 14 anos de prisão; 
  • Ailton Gonçalves Moraes Barros, major da reserva do Exército: 13 anos de prisão; 
  • Guilherme Marques de Almeida, tenente-coronel do Exército: 13 anos e seis meses; 
  • Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal:  7 anos e seis meses de prisão. 

Foragidos

Um dos condenados pelo 8 de Janeiro que segue foragido é o ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) durante o governo Bolsonaro, Alexandre Ramagem. Ele foi condenado a 16 anos de prisão na ação penal da trama golpista e fugiu para os Estados Unidos para não cumprir a pena.

O pedido de extradição já está em tramitação. Em função da condenação, Ramagem perdeu o mandato de parlamentar.

Também estão foragidos, porém na Argentina, cerca de 60 condenados pelos atos golpistas. Eles romperam a tornozeleira eletrônica e também são alvo de pedidos de extradição.

Incitadores e executores

O grupo maior de condenados faz parte do grupo de incitadores e executores dos atos golpistas. Nesse grupo, 810 condenações foram registradas, sendo 395 por organização criminosa, tentativa de abolição do Estado democrático de Direito e golpe de Estado, e 415 por incitação à prática de crime e associação criminosa, crimes considerados mais leves.

Entre os condenados desse grupo está a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos. Em abril do ano passado, Débora foi condenada a 14 anos de prisão pela participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e por pichar a frase “Perdeu, mané” na estátua A Justiça, localizada em frente ao edifício-sede do STF. Atualmente, ela cumpre prisão domiciliar.

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