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Tarifaço: Brasil deve adotar múltiplas frentes de negociação diplomática, dizem especialistas

Novas tarifas estão previstas para entrar em vigor a partir de 1º de agosto e já impactam exportadores

Brasília|Do R7, em Brasília

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RESUMO DA NOTÍCIA

  • Brasil enfrentará novas tarifas de 50% dos EUA a partir de 1º de agosto, impactando exportadores.
  • Especialistas sugerem uma postura diplomática firme e múltiplas frentes de negociação com os EUA.
  • É crucial diversificar mercados e manter diálogo com autoridades americanas moderadas, mesmo em um cenário adverso.
  • A resposta do governo brasileiro pode incluir a aplicação de tarifas recíprocas, em resposta a críticas de Trump sobre o tratamento ao ex-presidente Bolsonaro.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Trafiras foram anuniadas pelo governo Trump no início do mês Divulgação/The White House/27/6/2024

A uma semana da entrada em vigor das tarifas de 50% impostas pelo governo dos EUA (Estados Unidos da América), especialistas reiteram a importância de uma postura diplomática firme e estratégica por parte do Brasil, em meio ao aumento das tensões comerciais e políticas.

Segundo a mestre em Ciências Políticas e Leis Americanas, Jessika Kaminski, o país deve atuar com “profissionalismo e serenidade para reconstruir pontes e abrir canais de diálogo direto com o governo norte-americano”.


“A saída para essa crise passa por resiliência institucional, inteligência diplomática e visão de futuro. Isolamento não é uma opção para um país como o Brasil, que depende fortemente do comércio exterior para crescer. Negociar não significa ceder: significa reconhecer as forças em jogo e agir com responsabilidade“, afirma.

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Uma das estratégias mais recomendadas, segundo os analistas, é a adoção de múltiplas frentes de negociação — diretas ou indiretas — com os EUA.


Para João Alfredo Lopes Nyegray, coordenador do Observatório de Negócios Internacionais da PUC-PR, a abordagem mais sensata deve se apoiar em três eixos principais:

  1. Negociação setorial baseada na complementaridade econômica: demonstrar como as tarifas também prejudicam empresas e consumidores norte-americanos — como nos casos do café, da carne processada e do etanol;
  2. Engajamento com o setor privado dos EUA: mobilizar federações comerciais e grupos de lobby internos contrários às medidas tarifárias;
  3. Recurso a organismos multilaterais e acordos bilaterais: acionar fóruns como a OMC e utilizar dispositivos do Acordo de Cooperação Econômica e Comercial Brasil-EUA (ACE) para pleitear revisões.

“Apesar do cenário adverso, há espaço real para negociação. Mas isso exige pragmatismo e despolitização do conflito”, analisa Nyegray.


Eles explica que o governo Trump atua sob uma lógica transacional e eleitoral — ou seja, negocia com quem oferece concessões claras ou pressão política interna.

“O Brasil precisa usar sua relevância comercial como moeda de troca, e não como argumento moral”, afirma.


Jessika Kaminski também defende uma atuação voltada à diversificação de mercados, com foco em Ásia, Oriente Médio e Europa — ainda que isso demande tempo e ajustes logísticos.

No entanto, ela ressalta a importância de uma reflexão estratégica: os Estados Unidos são o segundo principal parceiro comercial do Brasil.

Mais do que isso, é o maior consumidor do mundo, representando cerca de 70% do PIB local, com uma economia de quase US$ 19 trilhões anuais.

“Nenhum outro país oferece um poder de compra comparável. Não é, portanto, apenas um parceiro estratégico, mas o mercado-alvo mais robusto e valioso”, explica a especialista.

Ou seja, a capacidade de absorver volumes gigantescos de produtos com alto valor agregado não encontra paralelo em nenhum outro mercado global, detalha Kaminski.

“Ser inimigo do maior mercado do planeta não é, sob nenhuma ótica, um caminho inteligente”, conclui.

Diálogo

Ambos os especialistas afirmam que o espaço para diálogo pode estar diminuído, frente alguns tons políticos adotados.

Ainda assim, o Brasil pode — e deve — tentar abrir canais técnicos e diplomáticos de negociação direta com autoridades americanas mais moderadas, como membros do Congresso e do Departamento de Estado.

Sem esquecer o setor empresarial, que se vê prejudicado com a medida, lembra Nyegray.

Já Kaminski, mestre em ciências políticas, aponta que o enfrentamento a curto prazo das tarifas devem envolver negociações.

“Ações diplomáticas bilaterais imediatas, combinadas com mobilização do setor privado, são cruciais para mitigar os impactos no curto prazo”, explica.

Relembre

As novas tarifas estão previstas para entrar em vigor a partir de 1º de agosto. E o governo federal afirmou que pode exercer a Lei da Reciprocidade, ou seja, aplicar as mesmas tarifas com os EUA.

Em uma carta enviada a Lula no início do mês, a medida é uma resposta direta a supostos ataques do Brasil à liberdade de expressão de empresas americanas e à forma como o país tem tratado o ex-presidente Jair Bolsonaro.

No texto, Trump afirma que “a forma como o Brasil tratou o ex-presidente Bolsonaro é uma vergonha internacional”.

Para o líder norte-americano, o julgamento e as investigações envolvendo o ex-presidente brasileiro configurariam uma “caça às bruxas” que deveria “terminar imediatamente”.

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