Bombeiro relata resgate de 600 pessoas ilhadas em uma igreja no Rio Grande do Sul
Naian Meneguetti, 33 anos, conta ao R7 sobre dias difíceis atuando em Canoas e Porto Alegre e fala sobre a esperança da reconstrução
Cidades|Bruna Lima, do R7, enviada especial ao Rio Grande do Sul

O bombeiro civil Naian Meneguetti, 33 anos, contou ao R7 que um dos casos mais impactantes durante os resgates de pessoas e animais nas enchentes que atingem o Rio Grande do Sul foi um chamado em uma igreja, logo nos primeiros dias das inundações. “A gente foi resgatar uma pessoa. Chegamos lá, tinham 600 pessoas”, lembra (veja o depoimento no vídeo abaixo).
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Ter mais vítimas que espaço para colocá-las chegou a ser uma rotina, segundo o profissional.
“Tinha uma rua lá que tinha cerca de mil pessoas em cima das casas. Tinha um helicóptero do Exército, Marinha, Aeronáutica, polícia, bombeiro fazendo resgate. A gente fazendo resgate com jet ski, barco, lancha — o que conseguisse — e não dava conta. Parecia que cada casa tinha um número de 30 pessoas. A gente não conseguiu parar. Foram quase 48 horas fazendo resgate só numa rua, e não conseguíamos dar conta. Parecia que, onde a gente entrava, tinha mais pessoas”, relata.
Durante os primeiros 22 dias da tragédia, ele e a equipe que coordenam estavam reforçando os salvamentos no município de Canoas, a 14 km da capital, Porto Alegre.
“Era muito difícil, porque era, literalmente, tu olhar e tu achar assim: ‘Ó, eu não vou dar conta’. E tu tinha que dar conta, tu tinha que salvar, porque tu sabia que tu poderia ser a última esperança dessa pessoa estar viva ou não. Então, vai até a última força que tu tiver e tenta salvar.”
Para ele, os momentos mais difíceis do trabalho foram aqueles em que o salvamento chegou, mas encontrou pessoas ou animais sem vida. “É uma sensação muito ruim de tu achar, mentalmente, que se tu tivesse chegado 20 minutos antes, tu poderia ter salvado a pessoa”, lamenta. O bombeiro comentou também sobre a situação de colegas de trabalho que tiveram a própria casa destruída, mas seguiram em seus postos resgatando vítimas.
Apesar de toda a dor, olhar para a água baixando e para as pessoas ajudando umas às outras é sinal de esperança, comentou Naian.
“O que me deixou mais feliz foi chegar em qualquer lugar que eu chegava e ver pessoas, população normal, pessoas que não são bombeiros, não são policiais, não são nada, povo mesmo, ajudando o povo. Então, a união que a gente teve, a força que a gente teve, a gente mostrou que a gente podia se unir e salvar o próximo”, assegura.















