Empresas de saneamento cogitam suspender fluoretação da água com alta no preço do flúor
Cenário pede por ‘construção de uma cadeia logística de importação, que praticamente não existia no país’, afirma especialista
Cidades|Do R7, com RECORD NEWS
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Há quatro meses o estreito de Ormuz continua fechado por conta da guerra no Oriente Médio. O aumento consequente no preço do petróleo e o efeito cascata resultante nos diversos produtos que envolvem o recurso na produção levaram a uma disparada no valor de insumos e materiais usados nos setores de infraestrutura, rodovias e saneamento, chegando a até mesmo afetar a qualidade da água que abastece as casas.
Companhias de água brasileiras agora pensam em cortar o flúor da composição da água por conta do aumento de 300% no custo do produto. O composto é um subproduto da fabricação de fertilizantes fosfatados — um dos principais recursos produzidos no Irã — e ajuda na prevenção de cáries. A escalada de preços praticamente inviabilizou a produção nacional e as reservas nacionais diminuem cada vez mais.
“As empresas estão em busca de novos fornecedores internacionais, mas já foram alertadas pelos distribuidores de que, para isso, vai precisar de um tempo para a construção de uma cadeia logística de importação, que praticamente não existia no país”, analisou a diretora técnica e econômica da Abcon (Associação Brasileira das Empresas de Saneamento), Carol Marques, ao Hora News desta segunda-feira (6).
A inclusão do flúor é obrigatória por lei, mas, segundo a diretora, o objetivo é tentar suspender a medida por 90 dias: “Até que a gente consiga normalizar o fornecimento para as empresas de saneamento”. Ainda assim, Carol lembra que a ausência do produto não faz com que a água deixe de ser potável. “Todo o tratamento da água que permite que ela seja consumida pela população continua ocorrendo [...] com muita responsabilidade”.
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