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Filha de PC Farias e perito que atestou suicídio serão ouvidos em júri popular

Quatro ex-policiais serão julgados por coautoria na morte do empresário, em 1996

Cidades|Do R7, com Rede Record

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Crime ocorreu em Maceió, em junho de 1996
Crime ocorreu em Maceió, em junho de 1996 DIDA SAMPAIO

Foram convocadas 18 pessoas como testemunhas da morte do empresário Paulo César Farias e de sua namorada, Suzana Marcolino. A filha do empresário, o irmão e o perito que elaborou o polêmico primeiro laudo sobre o caso estão na lista. Quatro ex-policiais que atuavam como seguranças do casal são réus no caso e serão julgados a partir de segunda-feira (6), em Maceió (AL).

Ao todo, 27 pessoas serão ouvidas, mas a Promotoria não divulgou os nomes da sua relação. O irmão de PC Farias, Augusto César Farias, falou que não deve se pronunciar no tribunal alegando imunidade parlamentar, mas disse acreditar que realmente Suzana matou o empresário e depois cometeu suicídio. Atualmente ele é deputado federal pelo Estado de Alagoas.


A filha do empresário, Ingrid Farias, informou que falará no julgamento e deve contar que o pai comentou dois dias antes da morte que pretendia terminar o relacionamento com Suzana, o que não agradou a namorada. Ingrid tinha apenas 15 anos na época do crime e disse também acreditar que a morte se trate de um crime passional.

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Um dos depoimentos mais esperados é do perito Fortunato Badan Palhares. Ele assinou o primeiro laudo sobre as mortes em que apontava Suzana como autora do assassinato de PC Farias, após o crime, ela se suicidou. A versão foi desmentida por um segundo laudo, mas a defesa dos réus deverá usar o documento produzido por Palhares como prova.

Serão ouvidos também os peritos Jerson Odilon e Nivaldo Cantuária. Funcionários da casa de veraneio em que o casal foi morto, uma ex-amante de PC Farias e um jornalista estão entre as demais testemunhas.


Os ex-militares que atuavam como seguranças do empresário vão estar no banco dos réus. São eles Adeildo dos Santos, Josemar dos Santos, José Geraldo da Silva e Reinaldo Correia de Lima Filho. O júri deve durar cinco dias e será presidido pelo juiz Maurício Breda, da 8ª Vara Criminal de Maceió.

O Ministério Público ofereceu denúncia aos quatro réus, porém nenhum deles foi apontado exatamente como o assassino, por isso respondem por coautoria do crime. Mesmo ao longo desses 17 anos, ninguém foi acusado como mandante do crime que nunca foi realmente esclarecido.


No entanto, o promotor de Justiça Marcos Mousinho quer que os quatro sejam condenados pelo crime de homicídio, e não de coautoria. O promotor disse acreditar que eles não cumpriram com sua função — zelar pela vida das vítimas — porque sabiam que o crime seria cometido.

Na época em que foi morto, PC estava em liberdade condicional. Ele respondia por crimes como sonegação de impostos, falsidade ideológica e enriquecimento ilícito. A morte do tesoureiro foi investigada como queima de arquivo, pois ele poderia fazer revelações sobre a participação de outras pessoas nos esquemas.

O advogado dos réus, José Fragoso, disse que o segundo laudo estaria cheio de erros técnicos, considerados gravíssimos em sua avaliação.

— Suzana Marcolino foi a única responsável pela tragédia que tirou a vida dela e do Paulo César Farias. Suzana tinha os motivos que só mesmo ela poderia dizer quais seriam.

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