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Fiscal que intimidou quem filmava morte de João Alberto é presa

Adriana Alves Dutra foi considerada coautora do homícidio pela polícia por ter voz de comando sobre seguranças que espancaram a vítima em Porto Alegre 

Cidades|Paloma Poeta, da Record TV*

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Foi presa no fim da tarde desta terça-feirea (24) a fiscal Adriana Alves Dutra, que trabalha unidade do Carrefour onde João Alberto Freitas foi espancado até a morte por seguranças em Porto Alegre. Para a polícia, ela foi coautora do homícidio por tentar intimidar quem registrava as agressões.

João Alberto Freitas, assassinado em supermercado
João Alberto Freitas, assassinado em supermercado

Adriana se apresentou voluntariamente à Polícia Civil. Ela imaginou que não poderia ser presa por causa da lei eleitoral. Mas pode, porque é residente de Alvorada, na região metropolitana de Porto Alegre, cidade onde não haverá segundo turno.

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"Entendemos que essa mulher tem uma participação decisiva nas agressões uma vez que se identificou que ela teria um poder de comando sobre os dois seguranças que provocaram a sua morte", afirma a delegada Vanessa Pitrez, diretora do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) do Rio Grande do Sul.

Veja também: Família se despede de João Alberto e pede justiça

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Em um dos vídeos que registra o assassinato, ela aparece dizendo a frase "não faz isso que eu vou te queimar na loja" a um funcionário que filmava o espancamento.

Sete pessoas são investigadas no inquérito da morte de João Alberto. A Comissão Especial da Igualdade Racial da OAB do Rio Grande do Sul pediu o fechamento da unidade do Carrefour onde ocorreu o crime.

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Outras prisões

Além de Adriana, já foram presos os dois seguranças Giovane Gaspar da Silva e Magno Braz Borges, que foram flagrados espancado Freitas até a morte. A Justiça decretou a prisão preventiva dos dois. A Polícia Civil já tinha adiantado que outras pessoas, flagradas na cena do crime, estavam sendo investigadas para apurar se houve omissão de socorro.

"Estamos tentando identificar a conduta de cada um deles para ver se houve conduta omissiva. Além disso, buscamos elucidar a motivação do crime e estabelecer uma dinâmica dos fatos", afirmou a chefe da Polícia Civil, delegada Nadine Anflor.

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Na sexta-feira (27), vence o prazo de dez dias para conclusão do inquérito. A Polícia Civil pode pedir prorrogação por mais 15 dias para concluir investigação. Um dia depois do crime, na sexta-feira, a investigação informou que o laudo preliminar do Instituto Geral de Perícias (IGP) apontou a asfixia como causa da morte.

Polícia amplia investigações

A Polícia Civil ampliou as investigações e busca esclarecer se houve omissão de socorro das demais pessoas que assistiram aos dois seguranças brancos espancarem até a morte João Alberto Silveira Freitas.

Enquanto João Beto, como era conhecido, era agredido, outras pessoas acompanhavam o crime. Além de Adriana, a fiscal que foi presa, um outro funcionário do mercado também tem a conduta investigada. Outros possíveis envolvidos também podem ser implicados, afirmou a chefe da Polícia Civil, delegada Nadine Anflor.

Além disso, a delegada Roberta Bertoldo, responsável pela investigação, pediu autorização da Justiça para ouvir os seguranças presos. "Pretendemos ouvir os dois. O inquérito será concluído somente quando concluirmos esta etapa e tivermos o laudo pericial", afirmou. A dupla vai responder por homicídio triplamente qualificado. O inquérito também apura o crime de injúria racial.

Defesa

O advogado David Leal assegurou que o cliente dele, Giovane, que é policial militar temporário, prestará todos os esclarecimentos. Na quinta-feira (19), quando foram detidos, os vigias ficaram em silêncio. Na segunda (23), Leal confirmou que Silva estava fazendo um "bico" no dia da agressão, sem vínculo trabalhista. O Grupo Vector, responsável pela fiscalização do hipermercado, refutou a informação. A reportagem não conseguiu contato com o defensor de Magno Braz Borges.

*Com informações da Agência Estado

Veja protestos contra a morte de João Alberto em todo o país:

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