Júri PC Farias: Caseiro cai em contradição e nega ter visto outra mulher na casa de ex-tesoureiro
Duas testemunhas já foram ouvidas hoje; irmão de PC Farias é o terceiro a ser ouvido
Cidades|Da Rede Record
O segundo dia de julgamento dos quatro ex-policiais militares acusados de coautoria no duplo homicídio do empresário Paulo César Farias e sua namorada, Suzana Marcolino, já contou com o depoimento de Milane Valente, ex-namorada de Augusto Farias, irmão de PC, e Manoel Alfredo da Silva, então caseiro do ex-tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor .
Os dois afirmaram que não sabiam de detalhes do relacionamento de Suzana e PC, e Manoel disse ter visto dois dos réus na casa do empresário, no dia do crime. No entento, o caseiro caiu em contradição ao ser questionado sobre Cláudia Dantas, suposta amante de PC — e possível pivô da separação do empresário e Suzana. Nesta terça-feira, ele disse não saber quem ela é, mas em depoimento de 1997, Manoel declarou que já tinha visto Cláudia na casa do empresário.
Além disso, Manoel declarou que Augusto Farias esteve na casa de PC no dia do crime, mas foi embora por volta das 0h30. O caseiro disse ainda que não escutou barulhos de tiros no dia da morte do casal.
Queima de arquivo? Mistério sobre a morte de PC Farias persiste 17 anos após o crime
Milane Valente, primeira testemunhas a ser ouvida nesta terça-feira, disse acreditar na hipótese de homicídio seguido de suicídio de Suzana. Ela disse que não sabia de detalhes da riqueza de PC e declarou desconhecer qualquer tipo de interesse de Augusto Farias na herança do irmão.
Augusto Farias, terceira testemunha do dia, começou a ser ouvido por volta das 10h50 desta terça-feira. O julgamento acontece na 8ª Vara Criminal de Maceió (AL).O juiz Maurício Breda é o responsável pelo caso. Marcos Louzinho é o promotor e José Fragoso Cavalcanti, advogado de defesa dos acusados. Cinco homens e duas mulheres compõem o júri. Estão no banco dos réus os ex-militares que atuavam como seguranças do empresário: Adeildo dos Santos, Josemar dos Santos, José Geraldo da Silva e Reinaldo Correia de Lima Filho.
Primeiro dia
Primeiro a depor, na segunda-feira (6), o ajudante de serviços gerais Leonino Tenório de Carvalho, responsável pela limpeza do quarto onde eles foram mortos, confirmou que, além de limpar o local após a perícia da polícia, ateou fogo no colchão da cama em que foram encontrados mortos PC Farias e sua namorada.
— A ideia foi minha, porque pensei que não iria "incomodar mais". "Todo bagulho" que não tem mais utilidade a gente joga fora.
Pressionado, porém, Tenório disse que queimou o colchão a mando de outro funcionário — chamado Flávio —, e que recebeu ordens do chefe para fazer uma “limpeza” na casa.
A segunda testemunha foi o garçom da casa, Genival da Silva França. Ele disse que Suzana teria tentado se matar afogada, dois dias antes da morte, após uma briga do casal. A afirmação é forte para a defesa dos réus, que sustenta a versão de que a namorada matou PC Farias e se suicidou em seguida. Para o promotor Marcos Mousinho, os laudos da perícia não comprovam essa versão.
Questionado pela promotoria porque só falou isso agora, 17 anos após o crime, o garçom disse que não se lembrava.
— Porque tem coisa que a gente esquece, doutor.
Denúncia
O Ministério Público ofereceu denúncia aos quatro réus, porém nenhum deles foi apontado exatamente como o assassino, por isso respondem por coautoria do crime. Mesmo ao longo desses 17 anos, ninguém foi acusado como mandante dos assassinatos que nunca foi realmente esclarecido.
No entanto, o promotor de Justiça Marcos Mousinho quer que os quatro sejam condenados pelo crime de homicídio, e não de coautoria. O promotor disse acreditar que eles não cumpriram com sua função — zelar pela vida das vítimas — porque sabiam que o crime seria cometido.
Na época em que foi morto, PC estava em liberdade condicional. Ele respondia por crimes como sonegação de impostos, falsidade ideológica e enriquecimento ilícito. A morte do tesoureiro foi investigada como queima de arquivo, pois ele poderia fazer revelações sobre a participação de outras pessoas nos esquemas.














