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Perito nega que Suzana tenha matado PC Farias e cometido suicídio

Ele disse que não foram encontradas substâncias na mãe da namorada do empresário

Cidades|Do R7, com Rede Record

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Perito simulou tiro que matou Suzana e disse que não é possível que ela tenha se matado supostamente depois de ter assassinado PC Farias
Perito simulou tiro que matou Suzana e disse que não é possível que ela tenha se matado supostamente depois de ter assassinado PC Farias ITAWI ALBUQUERQUE/FUTURA PRESS

O perito Domingos Tocchetto defendeu durante depoimento nesta quinta-feira (9) que a perícia comprova que Suzana Marcolino não assassinou PC Farias e depois cometeu suicídio, em 23 de junho de 1996. A afirmação foi feita durante julgamento dos réus acusados de coautoria nas mortes que o caso se trata de duplo homicídio, em Maceió (AL).

— Suzana não fez disparos naquela noite. Não havia resíduos das partículas metálicas chumbo, bário e antimônio em suas mãos. Ela não atirou em PC e não praticou suicídio.


Durante o depoimento do perito, o promotor Marcus Mousinho voltou a ressaltar que não foram encontradas substâncias na mão de Suzana durante a perícia ou na exumação do corpo, defendendo também a hipótese de duplo homicídio, a mesma do perito.

Depois de ser ouvido por quase duas horas, encerrou-se o depoimento de Toccetto. O médico legista Daniel Munhoz foi o próximo a prestar depoimento. Ele não foi chamado como testemunha, apenas para esclarecer a perícia que participou na época do crime.


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Ele integrou a equipe que realizou o segundo laudo sobre a morte. O documento desmentiu o primeiro, que se referia ao suicídio de Suzana, e alegou que a posição em que foi dado o tiro em Suzana não permite a hipótese que ela tenha se matado. Por volta das 12h30 ele ainda era ouvido.


Os réus podem ser ouvidos nesta quinta-feira. Na quarta-feira (8), o legista Fortunato Badan Palhares foi ouvido e afirmou que Suzana atirou em PC Farias e depois se suicidou. Uma junta de peritos contestou o documento e afirmou que o casal foi assassinado.

Por aproximadamente quatro horas, o legista mostrou imagens da perícia e fez análises. Ao fim, ele foi questionado sobre alguns pontos pelo promotor, pelo advogado de defesa e pelo juiz. Um dos jurados também teve dúvida sobre a posição de Suzana na cama após, supostamente, suicidar-se.


Indagado pelo juiz Maurício Brêta, Badan Palhares afirmou não ter dúvidas do laudo que produziu.

— Como perito, o local do crime, define por si só que aquilo é um homicídio seguido de suicídio. Pelos anos de vida que tenho, dedicados a isso, eu tenho certeza absoluta de que ali houve um homicídio seguido de suicídio.

Neste terceiro dia de júri também foram ouvidos os perito da equipe de Badan Palhares: Nivaldo Gomes Cantuária — que produziu o primeiro laudo técnico apontando homicídio seguido de suicídio —, Gérson Odilon, José Lopes e Anita Buarque de Gusmão — primeira a chegar no local.

O caso

PC Farias e Suzana Marcolino foram encontrados mortos na manhã do dia 23 de junho de 1996, na casa de praia do empresário, localizada no bairro de Guaxuma, litoral norte de Maceió. As circunstâncias do crime até hoje deixam dúvidas. Para a polícia alagoana, Suzana matou o namorado e depois cometeu suicídio. Esta é a mesma tese do advogado José Fragoso, responsável pela defesa dos quatro policiais levados a júri popular. A jornalista Ana Luíza Marcolino, irmã de Suzana, rebateu a tese de crime passional e falou em uma "força" para que o caso não seja esclarecido.

Collor

Paulo César Farias foi o tesoureiro de campanha do então candidato Fernando Collor à Presidência da República. Em novembro de 1993, PC Farias - que teve a prisão preventiva decretada por crime de sonegação fiscal -, foi preso na Tailândia, para onde fugira, e transferido para o Brasil. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal a sete anos de prisão, o empresário acabaria cumprindo parte da pena no quartel do Corpo de Bombeiros de Maceió, até ganhar a liberdade condicional. O duplo assassinato ocorreria seis meses após o empresário sair da prisão.

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