Rodovias federais têm bloqueios em 39 trechos após 36 horas de protestos de caminhoneiros
Estado com maior número de interdições era o Rio Grande do Sul
Cidades|Do R7

Mais de 36 horas após o começo da onda de protestos de caminhoneiros por todo o País, 39 trechos de rodovias federais ainda registravam bloqueio em seis Estados, de acordo com balanço da PRF (Polícia Rodoviária Federal), divulgado na noite desta terça-feira (2). Às 6h de segunda-feira (1º), alguns motoristas, convocados pelo MUBC (Movimento União Brasil Caminhoneiro), bloquearam trechos de importantes estradas brasileiras.
A entidade, liderada pelo empresário de transportes Nélio Botelho, pede que caminhões sejam isentos de pagar taxas de pedágio, subsídio no preço do óleo diesel, a criação de uma secretaria especial ligada à Presidência da República, que trate do transporte rodoviário de cargas, além de outras questões.
Uma decisão da Justiça Federal em MG aplica multa de R$ 100 mil por hora aos organizadores do ato, caso rodovias federais sejam fechadas durante protestos. No domingo (30), a Justiça Federal no Rio de Janeiro já havia determinado que o MUBC pagaria multa de R$ 10 mil por hora em caso de bloqueio de estradas. A decisão vale para todo o País. Procurado pelo R7, o presidente do movimento não havia se posicionado sobre as liminares até a publicação desta matéria.
A onda de protestos é questionada por outras entidades que representam os caminhoneiros. A Unicam (União Nacional dos Caminhoneiros), que representa cerca de 2 milhões de motoristas, a maior parte deles autônomo, diz que o empresário Nélio Botelho está fazendo uso do protesto em benefício próprio. Em nota, a entidade diz que a MUBC está “se aproveitando de uma oportunidade política no Brasil”.
O Setcesp (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de São Paulo e Região) também divulgou nota dizendo que não vai apoiar e nem participar dessa paralisação. “As empresas de transporte rodoviário de cargas têm um compromisso com o abastecimento das cidades e com o direito de ir e vir de todos”, diz o texto.
Bahia
A BR-116 tinha três pontos de interdição, dois deles em Cândido Sales e outro em Vitória da Conquista. No km 910,5, o bloqueio já durava quase 40 horas e era provocado por 400 caminhoneiros. Na BR-242, havia bloqueios no km 805 e no km 880, em Barreiras e Luís Eduardo, respectivamente.
Espírito Santo
Apenas na BR-101, os caminhoneiros fizeram três pontos de protesto, nas cidades de Iconha, Rio Novo do Sul, Atílio Vivacqua e Cariacica. Todos os bloqueios eram parciais, sendo que alguns deles também já duravam mais de 35 horas.
Minas Gerais
A BR-381 – importante ligação entre o Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo – tinha sete pontos de interdição parcial, nos municípios de Antônio Dias, Carmópolis, Igarapé, João Monlevade, Oliveira e Santo Antônio do Amparo. A BR-040, que liga MG ao Distrito Federal, tinha protestos interditando as pistas nas cidades de Cristiano Otoni e Matias Barbosa. Em Frei Inocêncio, manifestantes também fecharam as pistas na altura do km 370, por volta das 13h desta terça-feira.
Mato Grosso
Há mais de 33 horas, caminhoneiros mantêm fechadas parcialmente as pistas da BR-364, em Cuiabá. Ontem, eles chegaram a fechar outros dois pontos da rodovia. Apenas carros pequenos, ônibus e ambulâncias são autorizados a passar.
Rio de Janeiro
O único ponto de bloqueio no Estado do Rio de Janeiro acontecia na BR-040, na altura da cidade de Três Rios. As pistas foram fechadas parcialmente por volta das 8h desta terça-feira.
Rio Grande do Sul
A BR-392 – estrada que escoa boa parte da matéria-prima produzida no interior do Estado e liga o Porto de Rio Grande a outras regiões – tinha cinco pontos de interdições totais e parciais nas cidades de Pelotas, Canguçu, Buffon e São Sepé. Outra importante rodovia do Rio Grande do Sul, a BR-472, estava fechada totalmente na altura do km 165, em Santa Rosa. A BR-101 permanecia bloqueada, em Três Cachoeiras, há mais de 34 horas. A BR-158 – que sai do extremo do RS, passando pelo Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Goiás, Mato Grosso e chega ao Pará – tinha quatro pontos de bloqueio entre o km 104 e o km 268. A BR-285 – que liga a serra e o planalto gaúchos com Santa Catarina – também registrava interdições no km 497 e km 566.














