Apex prepara ofensiva de R$ 30 milhões para driblar tarifaço e manter mercado nos EUA
Agência aposta na pressão de compradores americanos, que também sofrem com aumento dos custos provocado pelas tarifas
Economia|Yuri Achcar, da RECORD Brasília, e Augusto Fernandes, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A estratégia da Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) para lidar com o tarifaço americano será manter os Estados Unidos no radar enquanto amplia a busca por outros mercados. Ao JR Entrevista, da RECORD, o presidente da agência, Laudemir Müller, afirmou que serão destinados R$ 30 milhões nos próximos 12 meses para ações diretamente no mercado americano, mesmo diante das tarifas impostas sobre produtos brasileiros.
O investimento terá duas frentes: a promoção comercial de produtos que continuam isentos das tarifas e o trabalho de articulação para tentar ampliar a lista de isenções.
“Nós vamos continuar trabalhando com o nosso escritório em Washington, junto com o setor privado brasileiro e o setor privado americano, para aumentar as isenções, para que mais produtos não tenham essa tarifa. E os produtos que estão isentos, nós vamos trabalhar para promover no mercado americano. O mercado americano é muito importante para o Brasil, é muito importante para as empresas brasileiras”, disse Müller.
A íntegra da entrevista com o presidente da Apex será exibida às 22h30 desta quarta-feira (19), na RECORD News. O programa também estará disponível no R7, nas redes sociais e no RecordPlus.
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Em julho, os EUA decidiram aplicar duas taxas contra produtos do Brasil que, somadas, podem chegar a 37,5%. Uma das tarifas é de 25% e foi instituída sob a alegação de supostas práticas comerciais desleais do Brasil contra os EUA. A outra, de 12,5%, foi criada pela suposta falha do Brasil em combater o trabalho forçado.
Parte dos recursos também será usada para dar suporte às empresas brasileiras que já possuem operações ou exportações consolidadas no país. A intenção é ajudar essas companhias a preservar seus negócios em um momento de aumento dos custos e perda de competitividade provocados pelas tarifas.
Müller entende que as novas tarifas são prejudiciais para todos. Entre os produtos que mais podem sofrer com essas taxas, de acordo com o presidente da Apex, estão calçados, madeira, rochas ornamentais e frutas.
“As empresas americanas também não querem essa tarifa, porque são elas que pagam. O comprador americano não quer pagar 40% a mais de um dia para o outro na mesma fruta, na mesma rocha, na mesma madeira. Não interessa para ninguém do mundo empresarial, é ruim para todo mundo”, pontuou.
“Inclusive, é ruim para o consumidor americano, que sofre com a inflação. Então, o desejo de todo mundo é que não tenha essa instabilidade, que não tenha essa fragmentação e que a gente não tenha essas tarifas”, acrescentou o presidente da Apex.
R$ 210 milhões para buscar outros mercados
O investimento nos Estados Unidos ocorre ao mesmo tempo em que a Apex conduz um plano emergencial de R$ 210 milhões para diversificar os destinos das exportações brasileiras.
A estratégia busca reduzir a dependência de mercados afetados pelas novas tarifas e abrir espaço para produtos nacionais em outros países. Para Müller, entretanto, diversificar não significa abandonar os Estados Unidos.
“Nós estamos, sim, focados na diversificação para socorrer as empresas, para encontrar compradores de mercados alternativos, mas nós não vamos abandonar o mercado americano. A gente segue trabalhando nos Estados Unidos para aumentar a isenção e apoiar as empresas que estão lá, inclusive para aumentar a nossa participação, porque o mercado americano é importante e ninguém do mundo empresarial quer essas tarifas”, reforçou Müller.
Para diversificar o mercado, a Apex deve usar uma carteira com ao menos 2.000 compradores internacionais para realizar uma busca ativa e identificar compradores no exterior que precisam exatamente do que o vendedor brasileiro tem a oferecer, promovendo reuniões diretas entre eles.
Além disso, a agência deve aproveitar feiras internacionais para apresentar produtos do Brasil diretamente a potenciais compradores.
De acordo com Müller, a Apex deve concentrar os esforços em 36 mercados. Entre os países listados por ele, estão Índia, China, Singapura, Malásia, Indonésia, Tailândia, Vietnã, Turquia, Nigéria, Etiópia, África do Sul, Canadá e México.
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