Argentina pode virar obstáculo nas tratativas do Mercosul com a China, diz especialista
Conversa entre Lula e Xi Jinping ocorre em meio ao avanço do protecionismo dos Estados Unidos
Economia|Do R7, com RECORD NEWS
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O presidente Lula e o presidente da China, Xi Jinping, conversaram para discutir o fortalecimento da cooperação bilateral em áreas estratégicas. Durante o diálogo, os dois líderes destacaram a importância de acelerar as negociações para um possível acordo entre o Mercosul e a China.
A conversa ocorreu em meio às recentes tensões comerciais provocadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que tem gerado incertezas no comércio internacional. Para o economista Ricardo Buso, o cenário exige uma reorganização do comércio internacional. “O comércio internacional precisa se reinventar completamente depois de Trump. Nós estamos aí numa onda de protecionismo muito grande que começa com os Estados Unidos, mas atinge já boa parte do mundo e tem chances de piorar”, comenta.

Apesar das dificuldades de reduzir a dependência econômica em relação aos EUA, Buso destaca que a diversificação de parcerias é fundamental para evitar riscos futuros. Nesse contexto, a China surge como um parceiro estratégico, principalmente por sua escala de consumo e por ser um dos principais destinos de exportações brasileiras.
O economista ressalta ainda que o Brasil tem conduzido a relação com o país asiático de forma equilibrada, preservando também seus vínculos com os Estados Unidos e a União Europeia. Além disso, ele destaca que as negociações em discussão envolvem o bloco sul-americano como um todo. “Ele não trata diretamente, nesse caso, Brasil e China; ele trata Mercosul e China”, afirma Ricardo Buso.
As negociações entre Mercosul e China também reforçam o papel do multilateralismo em um momento de protecionismo crescente. No entanto, a definição de um acordo enfrenta desafios dentro do próprio bloco. Segundo Buso, a Argentina pode representar um obstáculo nas tratativas devido à sua proximidade com os interesses norte-americanos.
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“Quando a gente fala em Mercosul, óbvio que nós já temos um entrave à frente, que é a Argentina, que naturalmente vai atender mais aos interesses dos Estados Unidos e Trump. Mas é muito difícil também para a Argentina, como grande produtora do agro, como competidora global, virar as costas para a China. Claro, alguma resistência vai ter, mas a escala da China é algo com que não se brinca”, alerta.
Embora aumentar as relações comerciais com a China possa trazer potenciais riscos futuros, o economista avalia que o momento exige alternativas diante das incertezas geradas pela política comercial dos Estados Unidos. “É melhor correr esse risco do que ficar aí, como claramente a situação se coloca, como refém dos Estados Unidos”, finaliza.
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