Banco Central corta a taxa básica de juros para 13,75% ao ano, pela 5ª vez seguida
Corte foi de 0,25 ponto percentual, assim como os anteriores; é o menor patamar da Selic desde março de 2025
Economia|Do R7

O Copom (Conselho de Política Monetária), do BC (Banco Central), decidiu nesta quarta-feira (16) reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira em 0,25 ponto percentual, passando de 14% para 13,7% ao ano.
Com isso, a taxa registra o menor nível desde o início de 2025, na quinta queda consecutiva na série de recuos iniciada em março deste ano. E a perspectiva é que a Selic feche o ano no mesmo nível.
No comunicado, o Copom mostrou cautela com o cenário externo. “O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas”, afirmou em nota.
O Comitê não sinalizou se haverá cortes futuros. “Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações, visando assegurar a convergência da inflação à meta”, acrescentou o texto.
A taxa Selic ainda é considerada alta. Apesar de o mercado já estimar essa queda de 0,25 ponto, a indústria e o varejo esperavam uma redução maior.

Para Felipe Queiroz, economista-chefe da Apas (Associação Paulista de Supermercados), havia espaço para um corte mais acentuado.
“Isso porque nós não temos um problema inflacionário. Os dados recentes, publicados pelo IBGE sobre o IPCA, mostram que a inflação do país está controlada e numa tendência de desaceleração”, afirma Queiroz.
Ele destaca que, atualmente, mesmo com a decisão recente do Copom, o país tem uma das maiores taxas reais de juros do mundo, que impactam o nível de atividade econômica, prejudicando os investimentos e o consumo das famílias.
“Por isso, acreditamos que o Banco Central deve seguir o ciclo de queda da sua taxa de juros”, acrescenta o economista-chefe da Apas.
A redução de juros é uma medida para estimular a economia, assim como o aumento é para conter o consumo e barrar a alta de preços, combatendo a inflação.
Entenda a Selic
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação.
Quando a Selic cai, a tendência é de redução do custo do crédito, favorecendo o consumo das famílias, os investimentos das empresas e o crescimento da atividade econômica.
Quando a Selic sobe, o crédito tende a ficar mais caro. Empréstimos, financiamentos e o rotativo do cartão de crédito passam a cobrar juros mais elevados, o que reduz o consumo, desestimula investimentos e ajuda a conter a inflação.
Ainda assim, as taxas cobradas pelos bancos também dependem de fatores como inadimplência, custos operacionais e margem de lucro.
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