Economia Banco Central encerra hoje ciclo de alta da taxa básica de juros

Banco Central encerra hoje ciclo de alta da taxa básica de juros

Mercado financeiro prevê estabilidade dos juros básicos em 13,75% ao ano; diretores do BC avaliam nova alta da Selic

  • Economia | Do R7

Taxa Selic saltou 11,75 pontos percentuais em um ano e meio

Taxa Selic saltou 11,75 pontos percentuais em um ano e meio

ANTONIO MOLINA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO - 15.6.2022

Nesta quarta-feira (21), os diretores do BC (Banco Central) voltam a se reunir para dar um ponto final no ciclo de alta dos juros básicos da economia, que elevou a taxa Selic de 2% ao ano para 13,75% ao ano desde março do ano passado, com o objetivo de conter o avanço da inflação.

O veredito, a ser anunciado após o fechamento do mercado financeiro, ainda divide os economistas. Enquanto os analistas preveem a manutenção da Selic no patamar atual, alguns membros do Copom (Comitê de Política Monetária) não descartam a possibilidade de elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual.

“O comitê avaliará a necessidade de um ajuste residual, de menor magnitude, em sua próxima reunião”, diz a ata do último encontro do colegiado, no qual os juros básicos foram elevados em 0,5 ponto percentual, o que confirmou o mais longo ciclo de aperto monetário da história. A 12ª alta consecutiva levou a taxa Selic a 13,75% ao ano, o maior patamar desde 2017.

No início do mês, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, avisou que o Copom vai avaliar "possível ajuste final" dos juros. A posição é a mesma defendida pelo diretor de Política Monetária, Bruno Serra, que vê as expectativas para a inflação de 2024 como um incômodo atual para a autoridade monetária.

As percepções levam em conta que a taxa Selic é o principal instrumento de política monetária com potencial para reduzir a inflação. Isso acontece porque os juros mais altos encarecem o crédito, reduzem a disposição para consumir e estimulam novas opções de investimento pelas famílias.

Na quarta (20), os oito diretores da autoridade monetária realizaram apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas da economia e o comportamento do mercado financeiro. O colegiado também já iniciou a análise de cenários e conjuntura, etapa que será finalizada nesta quarta-feira (21).

Após todas as discussões, a decisão a respeito dos novos juros será anunciada após as 18h30 e ficará vigente pelo menos até o dia 26 de outubro, quando os diretores do Copom voltarão a se encontrar para discutir novamente a conjuntura econômica nacional. Para o mercado financeiro, a Selic seguirá no atual patamar até o fim deste ano.

Juros básicos

A Selic é conhecida como taxa básica porque é a mais baixa da economia e funciona como forma de piso para os demais juros cobrados no mercado. Ela é usada nos empréstimos entre bancos e nas aplicações que as instituições financeiras fazem em títulos públicos federais.

Em linhas gerais, a Selic é a taxa que os bancos pagam para pegar dinheiro no mercado e repassá-lo a empresas ou consumidores em forma de empréstimo ou financiamento. Por esse motivo, os juros que os bancos cobram dos consumidores são sempre superiores à Selic.

A taxa básica também serve como o principal instrumento do BC para manter a inflação sob controle, perto da meta estabelecida pelo governo. Isso acontece porque os juros mais altos encarecem o crédito, reduzem a disposição para consumir e estimulam novas opções de investimento.

Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexo nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Já quando o Copom reduz os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo.

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