BC reduz taxa básica de juros pela segunda vez seguida
Corte de 0,25 ponto percentual faz Selic retornar ao patamar de junho de 2015: 13,75% ao ano
Economia|Do R7

Os juros básicos da economia brasileira serão mais baixos ao longo dos próximos 45 dias. O Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, decidiu nesta quarta-feira (30) cortar a Selic em 0,25 ponto percentual pela segunda vez consecutiva. Com isso, a taxa retorna ao patamar em vigor entre os meses de junho e julho de 2015, de 13,75% ao ano.
Trata-se da primeira vez desde outubro de 2012 que o Copom opta por derrubar por duas reuniões seguida a taxa básica de juros. No último encontro, o BC derrubou a Selic pela primeira vez desde agosto de 2012, a 14% ao ano.
A decisão de reduzir novamente a taxa básica de juros foi tomada por unanimidade após dois dias de reunião. Além do presidente do BC, Ilan Goldfajn, votaram a favor do corte Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Viana de Carvalho, Isaac Sidney Menezes Ferreira, Luiz Edson Feltrim, Otávio Ribeiro Damaso, Reinaldo Le Grazie, Sidnei Corrêa Marques e Tiago Couto Berriel.
Em nota, o Copom afirma que o conjunto dos indicadores divulgados nos últimos 45 dias apontam para uma "atividade econômica aquém do esperado no curto prazo", o que sinaliza para uma retomada mais lenta da economia nacional. O grupo demonstra ainda que a decisão levou em conta também o recuo dos últimos índices inflacionários, que projetam o índice de preços próximo ao centro da meta já em 2017.
— O Comitê entende que a convergência da inflação para a meta de 4,5% no horizonte relevante para a condução da política monetária.
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O veredito do BC atende às expectativas do mercado. Os economistas de mercado consultados semanalmente apontavam justamente para um recuo de 0,25 ponto percentual na reunião desta quarta-feira. Para 2017, os analistas preveem que a Selic caia a 10,75% ao ano.
De acordo com levantamento feito pelo diretor de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel José Ribeiro de Oliveira, a redução dos juros básicos a 13,75 ao ano tem um efeito "muito pequeno nas operações de crédito aos consumidores brasileiros".
— Existe um deslocamento muito grande entre a taxa Selic e as taxas de juros cobradas aos consumidores que na média da pessoa física atingem 157,47% ao ano, provocando uma variação de mais de 1.000% entre as duas pontas.
Taxa básica
A Selic é conhecida como taxa básica porque é a mais baixa da economia e funciona como forma de piso para os demais juros cobrados no mercado. A taxa é usada nos empréstimos entre bancos e nas aplicações que as instituições financeiras fazem em títulos públicos federais.
Em linhas gerais, a Selic é a taxa que os bancos pagam para pegar dinheiro no mercado e repassá-lo para empresas ou consumidores em forma de empréstimos ou financiamentos. Por esse motivo, os juros que os bancos cobram dos consumidores são sempre superiores à Selic.
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A taxa também serve como o principal instrumento do BC para manter a inflação sob controle, próxima da meta estabelecida pelo governo, de 4,5%. Isso acontece porque os juros mais altos fazem o crédito ficar mais caro, reduzem a disposição para consumir e estimulam novas alternativas de investimento.
Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida e isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Já quando o Copom reduz os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo.
A Selic só influencia o rendimento da poupança quando é igual ou inferior a 8,5% ao ano. Ou seja, com a taxa a 13,75% ao ano vale mais a pena buscar alternativas mais atrativas de investimento.















