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Brasil aposta em Ásia, Europa e África para reduzir dependência das exportações aos EUA

Presidente da Apex, Laudemir Müller afirma à RECORD que agência busca novos compradores para 5.300 empresas afetadas pelas tarifas

Economia|Yuri Achcar, da RECORD Brasília, e Augusto Fernandes, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Apex Brasil identificou 36 países como potenciais mercados para reduzir a dependência das exportações brasileiras aos EUA, devido às novas tarifas americanas.
  • O presidente da Apex, Laudemir Müller, destacou a importância de diversificar mercados sem abandonar o mercado americano, que ainda é relevante para as empresas brasileiras.
  • O Brasil já compensou parte das perdas nos EUA com aumentos nas exportações para a Europa, Índia e China, totalizando um crescimento significativo em outros mercados.
  • Com vantagens em produção de alimentos, energia e matérias-primas, o Brasil busca ampliar sua presença internacional e aproveitar oportunidades em sustentabilidade e transição energética.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Aerial view of cargo ship and cargo container in harbor. Exportações
Apex diz que 36 países podem ajudar Brasil a reduzir dependência dos EUA Reprodução/Magnific

A Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) mapeou 36 países que podem ajudar empresas brasileiras a reduzir a dependência das exportações para os Estados Unidos diante do tarifaço imposto recentemente pelo governo americano.

Ao JR Entrevista, da RECORD, o presidente da agência, Laudemir Müller, afirmou que o trabalho considera as características de cada setor e de cada produto para identificar os países com maior potencial de absorver a produção brasileira. Entre os mercados citados por ele, estão Canadá, México, Alemanha, Nigéria, Etiópia, África do Sul, Índia, Turquia, China, Singapura, Malásia, Indonésia, Tailândia e Vietnã.


“A exportação é um tema muito relevante para o desenvolvimento do Brasil, para a política econômica, para a nossa estabilidade e, principalmente, para a geração de emprego. Então, esse é um movimento muito importante, neste momento, de defender e apoiar quem mais está sendo prejudicado, mas incentivar todos a pensar na exportação”, frisou Müller.

A íntegra da entrevista com o presidente da Apex será exibida às 22h30 desta quarta-feira (19), na RECORD News. O programa também estará disponível no R7, nas redes sociais e no RecordPlus.


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Ainda na avaliação de Müller, mercados que possuem acordos comerciais recentes ou em negociação com o Brasil também podem ajudar o país. Ele destaca o tratado entre União Europeia e Mercosul e as negociações com o bloco EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio) — formado por Suíça, Noruega e Islândia — e com países como Coreia do Sul, Japão e Canadá.

A avaliação do presidente da Apex é de que acordos comerciais oferecem maior previsibilidade às empresas e podem reduzir custos de entrada dos produtos brasileiros nesses mercados.


“Exportar é possível para todo mundo. Para o pequeno e para o médio, também é possível. Mas, para isso, tem que se preparar, tem que pensar, tem que ter um bom plano de negócio, mas é possível. E por isso que nós estamos aqui, por isso que a Apex Brasil está aqui. Esse é o nosso trabalho, de ajudar nesse processo da exportação, inclusive de aumentar a cultura exportadora no Brasil”, frisou.

Para Müller, diversificar não significa abandonar os Estados Unidos. “Nós estamos, sim, focados na diversificação para socorrer as empresas, para encontrar compradores de mercados alternativos, mas nós não vamos abandonar o mercado americano. A gente segue trabalhando nos Estados Unidos para aumentar a isenção e apoiar as empresas que estão lá, inclusive para aumentar a nossa participação, porque o mercado americano é importante e ninguém do mundo empresarial quer essas tarifas.”


Brasil não quer abandonar EUA

A estratégia faz parte de um plano emergencial de R$ 210 milhões, criado pela Apex Brasil para apoiar cerca de 5.300 empresas brasileiras afetadas pelas novas tarifas americanas, que, somadas, podem chegar a 37,5%.

Uma das tarifas é de 25% e foi instituída sob a alegação de supostas práticas comerciais desleais do Brasil contra os EUA. A outra, de 12,5%, foi criada pela suposta falha do Brasil em combater o trabalho forçado.

Müller afirma que a diversificação não é apenas uma estratégia de longo prazo. Segundo ele, o crescimento das vendas para outros destinos já ajudou a compensar parte das perdas provocadas pela redução das exportações para os Estados Unidos.

De acordo com os números apresentados pelo presidente da agência, o Brasil perdeu US$ 2,9 bilhões em exportações para os Estados Unidos e outros US$ 2 bilhões em vendas para a Argentina. Ao mesmo tempo, houve crescimento de US$ 3,1 bilhões nas exportações para a Europa, US$ 2,7 bilhões para a Índia e US$ 11,3 bilhões para a China.

A avaliação da Apex é que o Brasil possui vantagens para ampliar sua presença internacional por ser um grande produtor de alimentos, energia e matérias-primas, além de ter uma posição relevante nas discussões globais sobre sustentabilidade e transição energética.

“O Brasil está no ‘hype’, está na moda, porque a gente faz bem feito, mas também porque o Brasil dialoga com o que o mundo precisa na mudança climática, na transição energética, na segurança alimentar e por aí vai. Então, o que nós temos que fazer? Nós temos que trabalhar cada vez mais e aproveitar esse ambiente de negócios, aquilo que interessa ao Brasil. Então, ao Brasil interessa se abrir, interessa negociar, interessa fazer mais acordos, interessa receber mais investimentos internacionais e interessa exportar mais”, ressaltou.

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