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Cerca de 20% dos orelhões brasileiros não estão funcionando

Limite máximo do "fora de serviço" deveria ser 10%. Média é de uma ligação a cada 16 horas 

Economia|Juca Guimarães, do R7

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Dois orelhões foram queimados na Barra Funda, no dia 16 de julho
Dois orelhões foram queimados na Barra Funda, no dia 16 de julho

As empresas do setor de telefonia, em troca do direito a exploração dos serviços de telefonia fixa e móvel, são obrigadas a oferecer e manter a rede de TUPs (telefones de utilidade pública), popularmente conhecidos como orelhões. Ou seja, para abocanhar os lucros gerados pelos contratos das linhas de celular e telefones fixos, as concessionárias devem arcar com a despesa salgada dos orelhões.

No entanto, a contrapartida das empresas está abaixo da regulamentação vigente. Dos 802.044 orelhões instalados do país, 144.604 estão fora de serviço, 18,02% do total. Segundo a regra estabelecida pela (Agência Nacional de Telecomunicações), a taxa mínima de disponibilidade exigida é de 90%, deste modo, o volume de aparelhos "fora de serviço" não pode ultrapassar 10% do total.


Dos 27 estados do país, 12 apresentam um percentual de orelhões quebrados acima do limite imposto pelo governo. O pior cenário é o do Pará, na região Norte, com 58,81% dos aparelhos em manutenção/fora de serviço. No Nordeste, oito dos nove estados da região, estão com mais de 10% dos orelhões sem funcionar. A situação é pior no: Maranhão (47,86%), Pernambuco (41,36%) e Piauí (39,38%).

O volume de orelhões decorativos também contribuiu na baixa utilização do sistema de TUPs no Brasil. De acordo com o levantamento da Anatel, a média diária é de 1,5 ligação. Ou seja, um período de 16 horas ociosas entre uma ligação e outra.


No período de abril a junho de 2016, de acordo com a Anatel, houve uma redução nas vendas de cartões telefônicos na ordem de 51% em relação ao mesmo período do ano passado.

A redução é atribuída, segundo a agência, em parte ao crescimento do uso de aparelhos móveis (celulares) e em decorrência da gratuidade decretada pela Anatel, por meio do Despacho nº 565/2015, para concessionária Oi, contemplando atualmente os Estados de Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul. O decreto da Anatel é uma espécie de punição à operadora por não ter cumprido a meta mínima de disponibilidade de telefones públicos.


Manutenção

As operadoras também devem seguir parâmetros mínimos de prazos para a manutenção e reparo dos orelhões, inclusive nos casos de vandalismo. 


O reparo deve ser feito em até oito horas, contadas a partir da detecção por sistema de supervisão ou da solicitação de reparo, em no mínimo, 98% dos casos, e em nenhum caso, o reparo pode se dar em mais de 24 horas.

Caso o orelhão esteja instalado em localidades de difícil acesso, distante dos centros urbanos, o reparo deve se dar em até cinco dias, em, no mínimo, 92% dos casos. 

No bairro da Barra Funda, na zona oeste, dois orelhões foram incendiados na madrugada do dia 16 de julho, um sábado. A reposição dos aparelhos só aconteceu na tarde da quarta-feira (20), três dias após o prazo máximo. Na cidade, a gestão dos TUPs é da operadora Vivo.

Outra regra da Anatel que não é respeitada pelas operadoras é a instalação de aparelhos para deficientes: são 2,5% para cadeirantes e 2,5% para surdos-mudos. Na prática, existem 2,37% de aparelhos adaptados para cadeirantes e 0,6% para surdos-mudos.

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