Circuit breaker, um puxão de orelha que costuma funcionar na Bolsa

Ele foi acionado 17 vezes no Brasil: em 14 por apenas 30 minutos e em 3, por uma hora a mais. Em 12 momentos, o resultado foi positivo

Investidor, você vai já pro castigo para pensar no que está fazendo de errado

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Pixabay

Até mesmo nas bolsas de valores tem uma hora que alguém precisa gritar mais alto: 'Para tudo, gente, vocês estão exagerando!' Esse momento nos pregões se chama circuit breaker, ou interrupção das negociações, em bom português.

O circuit breaker brasileiro é acionado quando a B3, administradora da Bolsa de São Paulo, vê as ações despencarem mais de 10%. Foi o que aconteceu nesta segunda-feira (9), dia em que papéis poderosos como o da Petrobras despencaram quase 30%.

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Os 30 minutos de "punição" impostos aos investidores servem como um puxão de orelha, mas também como uma pausa para pensarem até onde pretendem ir ao corroer o valor das ações. 

Caso o descontrole persista e os papéis caiam mais de 15% ocorre uma nova parada, dessa vez de 1 hora.

Antes desta semana, tinham ocorrido 17 circuit breakers na história da bolsa brasileira: em 14 por apenas 30 minutos e em 3, por uma hora a mais. Em 12 momentos, o resultado se mostrou positivo, com quedas menores que 10% registradas no fim do dia.

Não foi o que aconteceu ontem, no entanto, quando a B3 fechou com desvalorização superior a 12%.  

Há ainda a chance de uma terceira e definitiva parada, por tempo indeterminado. Para isso é preciso que depois do segundo retorno o tombo supere 20%. 

Fitas da JBS

Antes desta semana, a última vez que o mecanismo havia sido utilizado foi no dia 18 de maio de 2017. 

Naquele dia o jornal "O Globo" publicou a informação de que um dos donos da JBS, Joesley Batista, gravou o então presidente da República, Michel Temer, dando aval para comprar o silêncio do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

O chacoalhão nos negociadores fez efeito, afinal a bolsa fechou em baixa de "apenas' 8,80%.

Bolha americana

Em 2008, durante a crise mundial iniciada em 2007 com o estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos, cinco circuit breakers foram feitos no Brasil, recorde em um único ano. 

Em 6 de outubro de 2008, o pregão foi travado uma segunda vez — e novamente valeu a pena: a variação no final do dia foi de – 5,43%.

Turbulência na Ásia

Em 1997, uma crise iniciada nos chamados tigres asiáticos derrubou a cotação das moedas dos países do continente e se estendeu ao restante do mundo. A onda negativa foi responsável por inaugurar o mecanismo no Brasil em 28 de outubro, um dia após o Ibovespa cair mais de 14%.

Os negócios foram interrompidos ainda em 7 e 12 de novembro daquele ano. A última foi um sucesso como medicamento para o abalo, encerrando o pregão negativo em somente 2,85%. 

Um ano depois, em 1998, a Rússia enfrentou sua primeira grande crise após a abertura da economia para o capitalismo. Com altas taxas de endividamento, desemprego e índices de crescimento pífios, a turbulência no país afetou a economia do mundo inteiro. Foram cinco interrupções das operações por baixa de 10%, sendo que no dia 10 de setembro o mecanismo foi acionado outra vez.

A data de 10 de setembro de 2008 é a pior da história da bolsa, com duas paralisações e um encerramento catastrófico com 15,82% de desvalorização.

Torres gêmeas

No dia 11 de setembro de 2001, quando as torres do World Trade Center de Nova York foram atingidas por terroristas, a Bolsa de Valores de São Paulo tomou uma atitude ainda mais grave que o circuit braker. 

Após perceberem que as ações nacionais se deterioravam, com redução de 9,17% em menos de uma hora, a antiga Bovespa seguiu a maior parte das bolsas do mundo e fechou as portas, abrindo as operações apenas no dia seguinte.