Com corrida de investidores, dólar tem alta de 2,50% e fecha a R$ 5,37
Receio de que juros altos das principais economias levem a uma recessão global faz mercado buscar a segurança da moeda dos EUA
Economia|Do R7

Investidores do mundo inteiro buscaram a segurança da moeda norte-americana nesta segunda-feira (26), em meio a temores crescentes de que juros mais altos nas principais economias levem a uma recessão global. Com isso, o dólar deu sequência a seu rali, e chegou a disparar para quase R$ 5,42.
A moeda dos Estados Unidos fechou o dia em alta de 2,50%, a R$ 5,3793, maior patamar para encerramento desde o dia 22 de julho (R$ 5,4976), depois do pico da sessão disparar 3,23%, a R$ 5,4180, nível intradiário que não era não visto desde 25 de julho.
Este foi o segundo pregão consecutivo de disparada do dólar, período em que a divisa acumulou alta de 5,15%, maior salto em duas sessões desde o ganho de 5,59%, obtido entre 22 e 25 de abril.
Na B3 (Brasil, Bolsa, Balcão, a bolsa de valores de São Paulo), às 17h14 (no horário de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 2,38%, a R$ 5,3940.
A alta da divisa dos Estados Unidos foi generalizada. Seu índice contra uma cesta de seis pares fortes saltava 0,8% nesta tarde, renovando os maiores patamares em duas décadas, mostrando alta contra todas moedas relevantes do mundo.
"O principal fator que vem fazendo o dólar se apreciar frente às demais moedas é o cenário global bem turbulento, essa corrida de aperto monetário [dos bancos centrais] para conseguir segurar a inflação", disse Renan Mazzo, chefe de câmbio da SVN Investimentos.
Na semana passada, o Federal Reserve, banco central dos EUA, subiu sua taxa de juros em 0,75 ponto percentual pela terceira vez seguida, e projetou uma trajetória de aperto monetário mais agressiva do que era esperado inicialmente pelos mercados.
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Na Europa, o BCE (Banco Central Europeu) e o Banco da Inglaterra também têm se mostrado determinados a elevar os custos dos empréstimos, de forma a conter a alta dos preços, mesmo que isso ameace levar suas respectivas economias à recessão.
"Esse é um cenário de aversão ao risco, em que os investidores tendem a recorrer a moedas mais fortes, e a moeda mais forte do mundo é o dólar", afirmou Mazzo.
No âmbito doméstico, o que colaborou para o nervosismo dos investidores foi a aproximação da eleição presidencial de domingo, disse o especialista, o que explica o fato de o real ter sido a moeda com o pior desempenho do mundo nesta sessão. "É uma eleição muito conturbada, com muita incerteza sobre o que vai vir pela frente".
Apesar do rali recente da moeda norte-americana, "[as divisas de] mercados emergentes, como Brasil e México, estão superando as moedas do G10 no acumulado do ano em relação ao dólar", ponderou, em publicação no Twitter, Robin Brooks, economista chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês).
"Este é um grande pivô nos mercados globais, que é sem precedentes. A política monetária dos mercados emergentes é hoje mais ortodoxa do que nas economias avançadas", avaliou.
A taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, está em nível elevado, o que torna os retornos do real atraentes para os investidores estrangeiros que buscam lucrar com diferenciais de juros entre economias.
3 — Jorge Paulo Lemann e família. Patrimônio aproximado: R$ 81,5 bilhões
3 — Jorge Paulo Lemann e família. Patrimônio aproximado: R$ 81,5 bilhões
Em 2022, até agora, o dólar acumula baixa de 3,48% contra o real, embora esteja 16,75% acima da cotação mínima de fechamento do ano, de R$ 4,6075, atingida no início de abril.
Contra o peso mexicano, moeda citada por Brooks, o dólar tem baixa marginal de cerca de 0,5% no ano. A taxa básica de juros do México está em 8,5%. Os bancos centrais tanto do Brasil quanto do México começaram a subir os custos dos empréstimos antes das principais economias desenvolvidas.
O índice do dólar contra pares fortes, por sua vez, salta mais de 19% até agora no ano.
Ibovespa cai mais de 2%
O Ibovespa, principal indicador do desempenho médio das ações negociadas na B3, recuou mais de 2% nesta segunda (26), com a influência externa negativa, causada pelas preocupações com inflação e recessão econômica. Os negócios também foram afetados por uma liquidação nas ações do setor financeiro local, e certa cautela antes das eleições de domingo.
O Ibovespa caiu 2,33%, a 109.114,16 pontos, o segundo tombo consecutivo maior que 2%. No pior momento do dia, o índice foi a 109.021,62 pontos. O volume financeiro da sessão somou R$ 26,6 bilhões.
B3, Vale, Banco do Brasil e Itaú Unibanco foram as principais influências negativas. Klabin ficou na ponta oposta, com leve alta.
Para Adriano Yamamoto, chefe comercial da corretora do C6 Bank, prevaleceram preocupações com inflação e recessão em todo o mundo. Para conter a alta dos preços, bancos centrais vêm elevando os juros, e o mercado olha especialmente para o Fed (Federal Reserve), dos Estados Unidos.
"Alguns dirigentes do Fed tiveram falas um pouco mais hawkish (palavra em inglês, derivada de falcão, hawk, usada em referência aos defensores de juros mais altos e de uma política de austeridade mais forte)... confirmando o que vimos na semana passada", disse Yamamoto, sobre a alta de 0,75 ponto percentual no juro, anunciada na quarta-feira (21), nos Estados Unidos.
Autoridades do banco central norte-americano disseram que a prioridade continua a ser o controle da inflação, e minimizaram a crescente volatilidade dos mercados globais.
No Brasil, além das eleições, a divulgação do índice de inflação IPCA-15 e da ata da última reunião do Copom, que interrompeu o ciclo de alta de juros no Brasil, devem movimentar a sessão da terça-feira (27).





























