Construção civil desacelera no Centro-Oeste com juros a 15%, mas mercado segue aquecido
Alta da Selic reduz lançamentos e pressiona crédito, mas empregos e Minha Casa, Minha Vida ajudam a sustentar o setor
Economia|Clarissa Lemgruber, do R7, em Brasília
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A taxa Selic em 15% tem pressionado o setor da construção civil, reduzindo lançamentos e impactando o mercado imobiliário no Centro-Oeste. Dados divulgados pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) nesta quarta-feira (27) mostram que o segundo trimestre do ano registrou sinais de desaceleração, embora o saldo positivo do semestre tenha sido garantido pelo bom desempenho do início do ano.
O número de trabalhadores formais na construção na região passou de 273,1 mil em junho de 2024 para 280,6 mil em junho de 2025, crescimento de 2,75%.
Leia mais
No primeiro semestre, foram criados 25.257 empregos formais, praticamente estável em relação ao mesmo período de 2024 (25.213).
Apesar da alta dos juros, o mercado de trabalho segue relevante. No Brasil, o setor abriu mais de 150 mil vagas no primeiro semestre. Para a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, a preocupação é com o futuro.
“Em função das taxas de juros, temos uma preocupação com o desempenho do setor da construção no médio e longo prazo”, destacou.
O presidente da CBIC, Renato Correia, reforçou a necessidade de estímulos ao crédito.
“Os juros altos têm colocado um freio no setor. Apesar de ainda gerar empregos e investimentos, já sentimos os efeitos da taxa elevada. É preciso criar condições mais favoráveis de crédito e financiamento para que a construção siga contribuindo com a economia e com a geração de oportunidades para a população.”
Empregos por estado
Entre janeiro e junho de 2025, Goiás criou 11.020 novas vagas e Mato Grosso, 8.997, concentrando a maior parte da expansão regional.
Mato Grosso do Sul adicionou 4.292 empregos e o Distrito Federal, 948, este último com ritmo mais moderado, embora concentre quase 80 mil trabalhadores formais no setor.
Minha Casa Minha Vida sustenta mercado
O programa Minha Casa, Minha Vida tem sido um dos principais fatores de sustentação do mercado imobiliário regional.
Apesar da queda de 10,6% nos lançamentos e de 19,6% no Valor Geral de Vendas no semestre, o programa manteve a absorção de mão de obra e garantiu rápido escoamento das unidades, sem formação de estoque nas capitais.
Em Goiânia e Cuiabá, o MCMV respondeu por parte significativa da produção, especialmente no padrão econômico. Ainda assim, a oferta não cobre toda a demanda no Centro-Oeste.
Segundo Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain Inteligência Estratégica, a participação do médio padrão nos lançamentos cresceu 64,3%, enquanto houve queda no programa (35%) e nos imóveis de luxo (3,7%).
Perguntas e respostas
Qual é a situação atual da construção civil no Centro-Oeste?
A construção civil no Centro-Oeste está enfrentando uma desaceleração devido à taxa Selic elevada, que está em 15%. Apesar disso, o mercado ainda se mostra aquecido, com um saldo positivo no primeiro semestre do ano, impulsionado pelo bom desempenho no início do ano.
Como está o emprego no setor da construção civil na região?
O número de trabalhadores formais na construção civil no Centro-Oeste cresceu de 273,1 mil em junho de 2024 para 280,6 mil em junho de 2025, representando um aumento de 2,75%. No primeiro semestre de 2025, foram criados 25.257 empregos formais, um número praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior.
Qual é a perspectiva para o futuro do setor segundo especialistas?
A economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, expressou preocupação com o desempenho do setor da construção no médio e longo prazo devido às altas taxas de juros. O presidente da CBIC, Renato Correia, também destacou a necessidade de estímulos ao crédito para que o setor continue contribuindo para a economia e a geração de empregos.
Quais estados se destacaram na criação de empregos no setor?
No primeiro semestre de 2025, Goiás foi o estado que mais criou empregos, com 11.020 novas vagas, seguido por Mato Grosso com 8.997. Mato Grosso do Sul adicionou 4.292 empregos, enquanto o Distrito Federal registrou 948 novas vagas, embora com um ritmo mais moderado.
Qual é o papel do programa Minha Casa, Minha Vida no mercado imobiliário regional?
O programa Minha Casa, Minha Vida tem sido fundamental para sustentar o mercado imobiliário no Centro-Oeste. Apesar de uma queda nos lançamentos e no Valor Geral de Vendas, o programa garantiu a absorção de mão de obra e o rápido escoamento das unidades, evitando a formação de estoques nas capitais.
Como está a oferta e a demanda de imóveis na região?
A oferta de imóveis no Centro-Oeste não está conseguindo atender toda a demanda. Em Goiânia e Cuiabá, o programa Minha Casa, Minha Vida teve uma participação significativa na produção, especialmente no padrão econômico. No entanto, a demanda ainda supera a oferta disponível.
Quais foram as mudanças nas categorias de lançamentos de imóveis?
Segundo Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain Inteligência Estratégica, a participação do médio padrão nos lançamentos cresceu 64,3%, enquanto houve uma queda nas categorias do programa Minha Casa, Minha Vida (35%) e nos imóveis de luxo (3,7%).
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp















