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Crise brasileira é “crise da esquerda”, avalia ex-ministro Bresser-Pereira

Insatisfação com governos petistas veio em uma guinada à direita das classes médias, disse ele

Economia|Do R7*

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Luiz Carlos Bresser-Pereira atuou como Ministro da Fazenda durante o governo José Sarney (1985-1990)
Luiz Carlos Bresser-Pereira atuou como Ministro da Fazenda durante o governo José Sarney (1985-1990)

Afundado em uma das maiores crises desde a redemocratização, o Brasil vive hoje uma recessão que já dura pelo menos um ano e meio, somada à taxa de desemprego de 12% e uma inflação de 8,74% nos últimos 12 meses que vem definhando o poder de compra da população. Para o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, que atuou como Ministro da Fazenda durante o governo José Sarney (1985-1990), o cenário político e econômico que provocou a queda da presidenta Dilma Rousseff veio em um contexto de descontentamento das classes médias com a esquerda no país, menos de 8 anos após uma das mais graves crises econômicas mundiais da história.

— Como a crise de 2008 foi uma crise da direita, neoliberal, a crise de 2015 foi uma crise da esquerda. Isso aconteceu em um momento de guinada à direita das classes médias, que se mantiveram progressistas nos anos 80 e 90.


Após a eclosão da bolha imobiliária nos Estados Unidos que gerou impactos generalizados nos mercados mundiais em 2008, uma série de movimentos críticos à concentração de renda e à influência do setor financeiro nos governos tomaram as ruas em diversas cidades — como o Occupy Wall Street, nos Estados Unidos. No Brasil, milhares de pessoas foram às ruas em junho de 2013, em um movimento no qual o descontentamento de setores das classes médias não assistidas pelas políticas dos governos petistas começou a se manifestar de forma mais intensa, segundo Bresser-Pereira.

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Também economista, o professor da FGV (Faculdade Getúlio Vargas), Luiz Gonzaga Belluzzo, cita o francês Thomas Piketty — mundialmente famoso por seu livro O Capital no Século 21 — para avaliar a economia globalizada na atualidade. Belluzzo lembra que, segundo o autor, o capitalismo “está apodrecendo”, e as forças que o compõe devem se realinhar para evitar novos lapsos.

— Todos os economistas previram que chegaríamos à abundância. Mas ela foi mal distribuída, gerando as consequências sociais que temos aí.


Evento na FGV contou com a presença do ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa (à direita) e do economista Luiz Gonzaga Belluzzo (à esquerda)
Evento na FGV contou com a presença do ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa (à direita) e do economista Luiz Gonzaga Belluzzo (à esquerda)

Cenário mundial

Ambos os economistas participaram da mesa “Desafios para a retomada do crescimento da economia brasileira sob uma perspectiva Keynesiana”, que aconteceu durante o IX Encontro Internacional da Associação Keynesiana Brasileira na FGV na sexta-feira (2). O evento contou também com a presença do ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa.


Bresser-Pereira avaliou ainda que a crise no Brasil deve ser avaliada levando em consideração o atual cenário geopolítico mundial — no qual a economia e a política estão intimamente relacionadas.

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— O capitalismo globalizado vive uma crise econômica e política grande. Nesse contexto, a crise política que é nova, porque a econômica vem desde 2008. E a política vem com o Brexit, o fortalecimento dos partidos de ultradireita e o Trump nos Estados Unidos.

A nível de comparação, diversos países da chamada Zona do Euro enfrentam um cenário de estagnação de suas economias. O bloco como um todo deverá crescer 1,7% neste ano, segundo estimativa da Comissão Europeia. Já o Brasil deverá retomar o crescimento no ano que vem, terminando 2017 com crescimento de 0,5% do PIB, segundo o FMI.

* Por Luis Felipe Segura

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