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Dilma diz que terceirização não pode implicar em perda de direitos e arrecadação

Economia|Do R7

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(Reuters) - A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira que o projeto de lei que regulamenta a terceirização e está em tramitação no Congresso não pode significar a perda de direitos trabalhistas ou a redução da arrecadação de impostos, mas reconheceu que existe uma "área cinzenta" sobre a questão no país que deve ser regulamentada.

"A terceirização tem de estar ancorada em duas exigências. De um lado o pagamento de impostos, porque nós não podemos virar um país em que ninguém paga imposto", disse a presidente a jornalistas em Santa Catarina, após visitar municípios do Estado atingidos por um tornado na semana passada.

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"Porque você aceitará uma relação que eles chamam de 'pejotização', ou seja, transformar em pessoa jurídica todos os integrantes de uma empresa. Com isso, você não teria o pagamento de impostos, principalmente de contribuição previdenciária", afirmou.

"Também transformar em pejotização significa, por outro lado, a perda de direitos trabalhistas relevantes conquistados ao longo do tempo", acrescentou.

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O projeto de lei que regulamenta a terceirização foi aprovado na Câmara dos Deputados na semana passada.

O texto aprovado pelos deputados permite a contratação de mão-de-obra terceirizada para todas as atividades de uma empresa, inclusive para as atividades-fim. O projeto tem a oposição do PT, de sindicalistas e também foi criticado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

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Após passar na Câmara, o projeto de lei precisa ser agora analisado pelos senadores. Renan já sinalizou que a tramitação da proposta na Casa deve ser demorada e defendeu que ela seja alterada pelos senadores. Caso o texto sofra mudanças no Senado, deverá ser analisado novamente pela Câmara antes de ser sancionado ou vetado por Dilma.

"O governo acha que tem de ter um equilíbrio. Reconhece a importância de ter uma legislação sobre terceirização e acha que tem de ter esse equilíbrio que significa, sobretudo, que você não elimina a diferença entre atividades-fim e atividades-meio para todas as atividades existentes numa economia", disse Dilma.

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O projeto de lei que regulamenta a terceirização levou a uma queda-de-braço entre Renan e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os dois peemedebistas já criaram problema para o governo no Congresso desde que Dilma assumiu seu segundo mandato, em janeiro.

Renan chegou a devolver uma medida provisória ao Palácio do Planalto, enquanto Cunha presidiu votações que desagradaram o Executivo, como a aprovação de uma lei que obriga o governo federal a trocar o indexador da dívida de Estados e municípios com a União e que agora está no Senado.

Apesar das dificuldades com os peemedebistas no Congresso, que levaram Dilma a colocar seu vice Michel Temer, que também preside o PMDB, como responsável pela articulação política de seu governo, a presidente minimizou os desentendimentos com o maior partido da base aliada.

"Tem uma mania no Brasil de procurar conflito extraordinário onde não tem conflito extraordinário", criticou Dilma.

"O que importa é que o PMDB integra a base do meu governo. O vice-presidente é do PMDB, e nesse sentido o governo tem uma unidade. Agora, essa unidade tem como base a realidade da situação política do país, que é uma diversidade de partidos, e dentro dos partidos uma diversidade de posições... Num partido você não tem uma homogeneidade, é heterogêneo, os partidos são heterogêneos, então é normal que haja esses conflitos."

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(Por Eduardo Simões, em São Paulo)

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