Dólar cai mais de 2% e volta a R$2,40 e bolsa sobe com otimismo sobre política econômica
Decisão do Banco Central de aumentar a taxa de juros teve efeito positivo no mercado
Economia|Do R7

O dólar fechou em queda pelo terceiro dia seguido nesta quinta-feira, caindo mais de 2 por cento e voltando a 2,40 reais, com investidores animados pela surpreendente alta da Selic, que alimentou expectativas de fluxo positivo ao Brasil e de que a condução da política econômica pode tomar rumo mais favorável aos olhos do mercado.
A bolsa também mostrou sinais de reação. O principal índice da Bovespa recuperou o patamar de 52 mil pontos nesta quinta-feira, puxado pela forte alta do setor financeiro, após o Banco Central surpreender o mercado com a elevação dos juros, decisão entendida entre agentes financeiros como um primeiro sinal de disposição de mudanças na política econômica.
Balanços do terceiro trimestre de gigantes como Bradesco e Vale também repercutiram, assim como especulações sobre reajuste de combustíveis pela Petrobras e a oferta de permuta de units do Santander Brasil por recibos de ações do controlador, que ajudou a inflar o volume financeiro da sessão.
De acordo com dados preliminares, o Ibovespa encerrou em alta de 2,38 por cento, a 52.263 pontos. O giro financeiro do pregão totalizou 12 bilhões de reais.
Juros do cheque especial são de 183,3% ao ano e atingem maior patamar em 15 anos
Política econômica
A política econômica do governo de Dilma Rousseff, reeleita no domingo, recebeu fortes críticas por causar inflação elevada e baixo crescimento, em meio a uma política fiscal pouco transparente.
A moeda norte-americana caiu 2,45 por cento, a 2,4079 reais na venda, após chegar a 2,3932 reais na mínima da sessão, com queda de 3,05 por cento. Nas últimas três sessões, a divisa acumulou baixa de 4,56 por cento.
Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,5 bilhão de dólares.
"O aumento dos juros dá uma animada no mercado por causa da expectativa de fluxo, mas principalmente porque é um indício de que o governo está mais preocupado com a inflação", afirmou o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.
Três dias após a reeleição de Dilma, o BC decidiu elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, a 11,25 por cento, alegando aumento dos riscos à inflação. A decisão pegou o mercado no contrapé, em meio a amplas expectativas de que a Selic só voltaria a subir no ano que vem, num cenário de inflação elevada e atividade fraca.
O mercado aguardará mais pistas sobre como será a política fiscal nos próximos quatro anos para confirmar suas apostas sobre a política econômica. Também continuará no radar a nomeação do próximo ministro da Fazenda.
"É um ótimo primeiro passo e parece que o mercado está bem feliz, mas ainda há um caminho longo à frente", disse o operador de câmbio da corretora B&T, Marcos Trabbold.
Investimento estrangeiro
A expectativa de maior entrada de recursos estrangeiros no Brasil também ajudou a baixa no dólar nesta sessão, com maior potencial de investimentos externos vindo para o Brasil em busca de mais rendimentos com a Selic maior. No mercado de juros futuros, a curva de DI passou a mostrar apostas de maior aperto monetário.
Pelo terceiro dia seguido, o movimento do câmbio foi turbinado também por fatores técnicos, com muitos investidores desfazendo apostas na alta do dólar que haviam sido montadas antes do segundo turno das eleições. Muitos analistas afirmam que a vitória de Dilma já havia sido precificada.
"A posição técnica favorece esse movimento de queda. Todo mundo estava comprado (em dólar) e quando há quedas fortes como nesses últimos dias, essas posições acabam sendo desmontadas", disse o operador de um importante banco internacional.
Desde o segundo turno das eleições, a divisa dos EUA acumula queda de 2 por cento ante o real.
A perspectiva de que o presidente do BC, Alexandre Tombini, continue em seu cargo e estenda o programa de intervenções diárias no câmbio em 2015 também tem contribuído para a queda do dólar ante o real nos últimos dias.
Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total de até 4 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, pelas atuações diárias. Foram vendidos 3 mil contratos para 1º de junho e 1 mil para 1º de setembro de 2015, com volume correspondente a 198 milhões de dólares.
O BC também vendeu a oferta total de até 8 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em 3 de novembro, rolando praticamente todo o lote, equivalente a 8,84 bilhões de dólares. O próximo vencimento será em 1º de dezembro, equivalente a 9,831 bilhões de dólares.















