Dólar despenca e fecha abaixo de R$3,40 pela 1ª vez em quase um ano
Segundo analistas do mercado financeiro, pesou a nomeação de Ilan Goldfajn para o BC
Economia|Do R7

O dólar desabou mais de mais de 2% e fechou abaixo de R$ 3,40 pela primeira vez em quase um ano nesta quarta-feira (8), com operadores apostando que o Banco Central deve ser menos propenso a intervir no câmbio sob Ilan Goldfajn e acompanhando o ambiente externo favorável.
O dólar recuou 2,29%, a R$ 3,3697 na venda, menor nível de fechamento desde 29 de julho de 2015 (R$ 3,3293) e acumulando queda de 6,72% no mês. No ano, a moeda norte-americana já perdeu 14,65%.
"Muita gente no mercado via um piso nos R$ 3,50 e as declarações do Ilan contrariaram essa tese", disse o operador da corretora Ativa Arlindo Sá.
— Aí o real veio com tudo, embalado também pelo cenário externo positivo.
Ilan defendeu na véspera o "respeito ao regime de câmbio flutuante" em audiência no Senado e a declaração serviu de gatilho para o ajuste no mercado de câmbio. Sua indicação à presidência do BC foi aprovada na terça-feira pelo Senado e vai assumir a presidência do BC nos próximos dias.
Sá disse que há espaço para o dólar recuar ainda mais, mas preferiu não precisar patamares. Esse movimento depende, porém, de trégua no cenário político, em meio a escândalos que vêm alimentando preocupações com a capacidade do governo interino de Michel Temer de bancar medidas de austeridade no Congresso Nacional.
— Tem muita água para rolar ainda. O jogo só acaba quando termina.
Mesmo com o recuo recente da moeda dos EUA, o BC não voltou a atuar no mercado. Esta foi a sexta sessão consecutiva em que a autoridade monetária não intervém, sendo que não realiza leilão de swap reverso — equivalente a compra futura de dólares — desde 18 de maio.
Quando o dólar ia abaixo de R$ 3,50, o BC costumava entrar no mercado e, assim, reduzir o estoque de swaps cambiais tradicionais, equivalentes a venda futura de dólares. Muitos interpretavam o movimento como uma tentativa de não prejudicar as exportações.
O BC reduziu seu estoque de swaps tradicionais, que permaneceu acima de 100 bilhões de dólares por quase todo o ano passado, para o equivalente a pouco mais de 60 bilhões de dólares.
"Foi uma redução muito substancial. Talvez o BC decida parar por aí, não acelerar os vencimentos com os reversos e deixar o estoque diminuir mais lentamente", disse o operador de um banco internacional, sob condição de anonimato.
O recuo da moeda norte-americana nesta sessão também foi motivado por operações automáticas de venda de dólares para limitar perdas ("stop-loss"), montadas por investidores que não acreditavam que o BC permitiria baixas tão fortes.
O cenário externo favorável também vem contribuindo para a queda do dólar. Neste pregão, dados fortes sobre as importações da China favoreciam o desempenho de ativos ligados a commodities, como moedas emergentes, somando-se ao avanço dos preços do petróleo.
"O fluxo para emergentes continua assegurado", escreveu a equipe da corretora Lerosa Investimentos em relatório.
Além disso, vêm enfraquecendo as apostas na alta de juros nos Estados Unidos no curto prazo, após dados fracos sobre o mercado de trabalho norte-americano e declarações da chefe do banco central norte-americano (FED), Janet Yellen. Juros mais baixos nos EUA tendem a favorecer ativos emergentes, que oferecem retornos elevados.
O mercado brasileiro também reagiu a expectativas de ingresso de capitais ligados à emissão de 1,25 bilhão de dólares em bônus da Vale, na noite passada. A emissão, que marca o retorno da mineradora ao mercado de dívida internacional após mais de três anos, foi feita por meio da subsidiária integral Vale Overseas.
Ibovespa sobe 2,26%
A Bovespa fechou em alta hoje, com o seu principal índice acima de 51 mil pontos pela primeira vez em quase um mês, amparado no quadro externo favorável, particularmente a alta dos preços do petróleo, e na falta de novos ruídos no cenário político local.
O Ibovespa subiu 2,26%, a 51.629 pontos. O volume financeiro somou R$ 7 bilhões.
No mercado, há a visão de que os ativos de risco no mundo seguem bem amparados pela avaliação de que há um ambiente de crescimento global fraco, mas sem risco elevado de recessão.
Ao mesmo tempo, corroboram esse apetite o tom cauteloso do banco central dos Estados Unidos quanto ao aumento dos juros e manutenção de oferta de liquidez pelas demais autoridades monetárias das principais economias do globo.
Dados sobre o comércio exterior chinês estiveram sob os holofotes, apoiando os preços de commodities, enquanto o petróleo ainda encontrou suporte em números sobre estoques nos EUA e interrupções de produção na Nigéria.
Wall Street fechou com o S&P 500 em alta e o Dow Jones acima de 18 mil pontos pela primeira vez desde abril.
No Brasil, ajudou a trégua nos ruídos políticos que vêm preocupando investidores por eventuais riscos à aprovação de medidas vistas como essenciais à economia do país, assim como repercutiu bem a aprovação do economista Ilan Goldfajn para comandar o Banco Central.















